Grupo acusado de escravizar prostitutas brasileiras é preso em Madri

A Polícia Nacional da Espanha desmantelou na quarta-feira uma quadrilha que mantinha mulheres brasileiras na prostituição através de ameaças, surras e consumo obrigatório de drogas. Uma blitz resultou na prisão de 25 pessoas, e foram encontradas armas, cocaína e maconha.

BBC Brasil |

A quadrilha era chefiada por dois brasileiros, dois espanhóis e dois colombianos, pegos em um prostíbulo de Navas Del Rey, na região metropolitana de Madri, com 19 prostitutas brasileiras.

Segundo a polícia, as mulheres eram espancadas por não cumprir as regras da quadrilha, vigiadas por seguranças armados e sofriam ameaças constantes, inclusive de que suas famílias no Brasil sofreriam conseqüências, em caso de desobediência.

Quatro das vítimas encontradas na blitz tinham marcas nos corpos provocadas pelas surras, de acordo com a assessoria de imprensa da Unidade contra as Redes de Imigração e Falsidade de Documentos (UCRIF) da polícia.

As mulheres estavam controladas 24 horas por dia durante toda a semana. Até para sair do prostíbulo deveriam estar acompanhadas por um leão-de-chácara.

Além de controlar a forma de elas se vestirem, seu comportamento nas salas do prostíbulo e seus horários de trabalho, a quadrilha também as forçava a consumir drogas.

Segundo a polícia, as brasileiras eram obrigadas a utilizar cocaína e maconha nos quartos para estimular os clientes a comprar entorpecentes no próprio prostíbulo.

'Escravidão'
Ao contrário da maioria dos casos em que há um aliciamento com falsas promessas de trabalho, as brasileiras desta quadrilha viajavam a Madri sabendo que trabalhariam na prostituição. Mas desconheciam o sistema que os policiais espanhóis descreveram como "regime de escravidão".

Quando fechavam acordo com a organização, recebiam passaporte, dinheiro e instruções para passar pela imigração do aeroporto de Madri como turistas.

No desembarque, elas eram levadas em táxis comuns até o prostíbulo sabendo que a dívida com os chefes era de 3 mil euros (aproximadamente R$ 9 mil).

A rede foi descoberta graças à denúncia de um cliente. Ele foi à delegacia depois de ter sido agredido por tentar sair do prostíbulo com uma das brasileiras.

Na blitz, foram apreendidos um revólver, 15 gramas de cocaína, 230 gramas de maconha, quatro latas de spray de autodefesa, 6 mil euros (cerca de R$ 18 mil) e vários tipos de documentos.

As 19 prostitutas brasileiras serão deportadas por situação irregular no país. Os chefes do grupo foram indiciados por crime de prostituição, lesões, coações, formação de quadrilha, tráfico de drogas e de armas, e violação dos direitos dos cidadãos estrangeiros.

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