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Groenlândia aprova autodeterminação e fica mais perto da independência

Copenhague, 26 nov (EFE).- A Groenlândia deu um passo em direção a sua independência da Dinamarca ao aprovar em referendo com mais de três quartos dos votos a ampla reforma de seu estatuto de autonomia, que reconhece o direito de autodeterminação.

EFE |

Os dados divulgados hoje pelas autoridades da ilha, após a apuração de 100% das urnas, dão clara vitória do "sim", com 75,54%, contra 23,57% do "não", em uma consulta que também contou com participação recorde de 71,96%, bem acima do esperado.

O resultado confirma as previsões que indicavam vitória do "sim" com mais de 60%, reflexo do sólido respaldo à reforma, apoiada por todos os partidos da Groenlândia, menos pela legenda dos Democratas.

Embora o referendo tenha caráter consultivo, há um acordo prévio para respeitar seu resultado, que seria ratificado pelos Parlamentos de Nuuk, capital da Groenlândia, e de Copenhague.

O primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Fogh Rasmussen, anunciou hoje que, uma vez aprovado pelo Parlamento da Groenlândia, apresentará o projeto de lei em fevereiro com o objetivo de concluir o plano de que o novo estatuto entre em vigor em 21 de junho de 2009, coincidindo com os 30 anos da autonomia da ilha.

O chefe de Governo da Groenlândia, Hans Enoksen, disse estar "muito emocionado" e ter chorado "lágrimas da alegria".

O referendo termina um longo processo de oito anos e cuja proposta final de reforma foi atrasada por culpa do principal empecilho nas negociações: a divisão da receita extraída do subsolo.

Segundo estimativas recentes, sob o solo da Groenlândia haveria reservas de petróleo equivalentes à metade das da Arábia Saudita, o que permitiria à ilha ser auto-suficiente.

Os dois Governos acordaram que a subvenção estatal de 3,2 milhões de coroas dinamarquesas (429 milhões de euros), enviada todos os anos por Copenhague, será reduzida progressivamente com uma quantidade que corresponderá à metade das hipotéticas receitas anuais do subsolo que superarem 75 milhões de coroas dinamarquesas (10 milhões de euros).

No caso de a subvenção ser reduzida a zero, as duas partes deverão renegociar suas futuras relações econômicas.

O gelo na Groenlândia dificulta a extração do petróleo do ponto de vista tecnológico e econômico, o que acrescenta alto grau de incerteza à data de uma hipotética independência, que segundo os mais pessimistas, é inviável no médio prazo.

Os partidos nacionalistas falam de 2016 ou 2021, coincidindo com os 300 anos da colonização dinamarquesa, como datas possíveis para a separação definitiva, mas sem descartar um acordo de livre associação da Groenlândia com a Dinamarca. EFE alc/wr/jp

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