Gripe suína viaja do México à Europa; doença já matou até 149

Por Catherine Bremer CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - Governos em todo o mundo se apressavam na segunda-feira para reduzir o impacto de uma possível pandemia de gripe, no momento em que um vírus que já matou 149 pessoas no México e se espalhou para os EUA e o Canadá também chegava à Europa.

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Em meio ao surto de gripe suína que assusta os mexicanos, a capital do país foi palco de um terremoto de magnitude 6, que balançou edifícios na Cidade do México. Autoridades não informaram se houve danos ou mortes pelo cismo.

A maioria das vítimas da gripe suína tem entre 20 e 50 anos, segundo o governo mexicano.

Até agora o vírus não matou ninguém fora do México, mas mostrou que é capaz de se espalhar rapidamente entre humanos, suscitando o temor de que o mundo possa estar diante de uma pandemia de gripe, possibilidade para a qual os cientistas vêm alertando há muito tempo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que seu comitê de emergência pode decidir elevar o nível do alerta de pandemia, que atualmente está em 3, numa escala de 1 a 6, para a fase 4 ou 5. A iniciativa assinalaria que a OMS acredita na possibilidade de grandes surtos da gripe.

O governo dos EUA já declarou emergência na saúde pública, e a secretária de Estado Hillary Clinton pediu que as pessoas adotem cautelas se pretendem viajar ao México, acrescentando que Washington está levando o surto "muito a sério".

A União Européia recomendou a seus cidadãos que evitem viagens não-essenciais a algumas das áreas afetadas pela gripe suína.

O México depende fortemente do turismo, sua terceira maior fonte de divisas, e milhões de americanos viajam ao México todos os anos.

O vírus está sendo amplamente descrito como gripe suína, mas possui componentes de vírus clássicos de gripe aviária, humana e suína e, na realidade, ainda não foi visto em suínos.

A Espanha se tornou o primeiro país da Europa a confirmar um caso de gripe suína quando um homem que voltou de uma viagem ao México na semana passada apresentou o vírus.

Horas depois, a Grã-Bretanha confirmou outros dois casos na Escócia. Os dois pacientes estão isolados em um hospital em Airdrie, perto de Glasgow.

Mas nenhum dos pacientes europeus apresentava uma condição grave, e o mesmo aconteceu com relação aos 20 casos da gripe identificados nos EUA e seis no Canadá. Na Nova Zelândia, uma professora e uma dúzia de alunos que retornaram recentemente do México também estão sendo tratados como casos de gripe suína leve.

ESTADO DE ALERTA

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que os casos de gripe suína estão sendo estreitamente monitorados, mas também procurou aliviar os temores.

"Obviamente isto é motivo de preocupação e exige um estado de alerta intensificado. Mas não é motivo de alarme", disse Obama em uma reunião da Academia Nacional de Ciências.

Muitos países intensificaram a vigilância em aeroportos e portos, usando câmeras e sensores térmicos para identificar pessoas que estejam com febre, e a OMS abriu seu centro de comando 24 horas, conhecido como "sala de guerra".

Embora a maioria dos casos da gripe ocorridos fora do México seja relativamente branda, uma alta funcionária do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA disse temer que possam ocorrer mortes nos Estados Unidos.

Nos mercados financeiros, as ações de empresas de viagens e lazer, como a Cathay Pacific Airways, de Hong Kong, e a British Airways, tiveram queda acentuada, enquanto as de fabricantes de medicamentos e vacinas, como a Roche, apresentaram alta.

"A ameaça de pandemia vai enfraquecer mais ainda o comércio global", comentou Justin Urquhart Stewart, diretor de investimentos da Seven Investment Management, de Londres.

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