Gripe suína torna máscaras acessório obrigatório no Japão

Celia López. Tóquio, 29 abr (EFE).- As máscaras são uma peça comum na paisagem urbana do Japão, onde os fabricantes do produto faturam 200 milhões de euros ao ano com a venda desse artigo anti-infecções, e, agora, veem aumentar a demanda com o temor da gripe suína.

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Apesar de, no Japão, ainda não ter sido registrado qualquer caso suspeito da doença, tanto as autoridades sanitárias como os cidadãos começaram a adotar medidas de prevenção, que incluem a inspeção em passageiros dos voos internacionais e o aumento da compra de máscaras.

Em uma das principais lojas do aeroporto de Narita-Tóquio, as vendas de máscaras entre os viajantes dobraram desde que, no dia 23, foi divulgada a notícia do surto de gripe suína, que, no México, matou 150 pessoas, explicou à Efe o dono do estabelecimento.

A fabricante de produtos médicos Daiwabo estuda agora aumentar a produção de máscaras, afirmou à Efe um porta-voz, enquanto as ações do principal produtor japonês, a Unicharm, dispararam na Bolsa de Tóquio, com uma alta de 27%.

O uso deste produto, em função do modelo e da qualidade, evita a infecção em entre 95% e 99,9% dos casos, segundo as estimativas do Ministério da Saúde do Japão.

O emprego das máscaras medicinais no Japão remonta ao começo do século XX, quando eram consideradas uma forma de manter o calor no inverno.

A gripe espanhola, pandemia que, em 1918, matou pelo menos 40 milhões de pessoas no mundo, difundiu seu uso no Japão com fins preventivos.

Depois, na Segunda Guerra Mundial, as máscaras de gaze começaram a ser comercializadas, e se tornaram mais frequentes entre a população japonesa até o aparecimento das descartáveis, que agora representam 80% do total.

Na segunda metade do século XX, as máscaras começaram a ser usadas como método para evitar o contágio das gripes tradicionais no inverno, mas também foram ganhando um crescente valor às pessoas alérgicas.

Já em 2003, a maior fabricante japonesa, a Unicharm, elaborou um modelo 3D capaz de se adaptar com facilidade ao rosto, e que permitia às mulheres manter intacta a maquiagem.

O sucesso deste produto no país asiático foi muito amplo também por ter sido pensado especialmente para impedir a entrada do pólen na primavera, causa de muitos sintomas alérgicos.

Inicialmente, os japoneses usavam a máscara para evitar contagiar os demais, mas, após a campanha feita pelo Ministério da Saúde "Etiqueta de tosse", o artigo começou a ser empregado para prevenir doenças.

No Japão, o tipo de máscara mais vendido, segundo explicou hoje à Efe um porta-voz de lojas de departamento de Tóquio, varia entre os 2,40 euros e os 4 euros, e elas são descritas como as ideais para prevenir vírus como o da gripe suína.

Devido à proximidade do verão no Japão (hemisfério norte), essas lojas de departamento atualmente contam com poucas provisões e creem que o produto "se esgotará em breve", acrescentou.

Normalmente nesta época as máscaras não são mais vendidas, pois, após o inverno, caem os índices de gripe, mas o pânico causado pela possível propagação da gripe suína alterou o ritmo de vendas este ano.

A alta procura por máscaras registrada nos últimos dias em muitos países do mundo, não só no Japão, desperta também o interesse dos investidores japoneses em aplicar em seus principais fabricantes.

As vendas de máscaras da Unicharm aumentaram em 150% entre o ano fiscal 2007 e o de 2008, explicaram à Efe fontes dessa companhia.

De acordo com os cálculos da empresa, as fabricantes do Japão dedicadas à venda de máscaras para uso pessoal geraram 240 milhões de euros em vendas no ano fiscal 2008, que terminou em março. EFE clb/db

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