Gripe suína pode impedir recuperação econômica em 2010, diz consultoria

A gripe suína pode levar por água abaixo as esperanças de uma recuperação da economia mundial até o ano que vem e provocar uma queda de 3,9% do PIB do planeta em 2010, alertou nesta sexta-feira uma consultoria britânica em um estudo. A pesquisa do Centro de Estudos Oxford Economics também afirmou que o Brasil poderia ser gravemente afetado, com a economia encolhendo 4% neste ano e também no ano que vem.

BBC Brasil |

De acordo com o estudo, a pandemia tem potencial de causar uma redução de 4% do PIB mundial neste ano, contra uma previsão atual, segundo a Oxford Economics, de -2,6%.

No ano que vem, em vez de uma esperada recuperação e crescimento de 2,2%, o PIB global desabaria 3,9%.

Impacto
O estudo avaliou o impacto da gripe suína sobre setores como turismo, hotelaria e de viagens, bem como sobre os gastos dos consumidores.

A consultoria assumiu que a taxa de infecção da doença em nível mundial será de 30%, próxima da previsão do governo britânico, com uma taxa de mortalidade de 0,4%, semelhante à observada em diversos países acompanhados pela Organização Mundial de Saúde (OMS).

"Nós teríamos um grande choque no chamado gasto de consumidores que não são essenciais, como restaurantes, cinemas e até mesmo roupas, coisas que consumidores podem cancelar", disse à BBC Brasil uma das autoras do estudo, Marie Diron.

Segundo Diron, o estudo tirou conclusões dos efeitos da Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) na Ásia em 2003. Na época, as viagens internacionais com origem e destino na região desabaram. Segundo o estudo, o número de turistas para Hong Kong chegou a cair 60% no segundo trimestre daquele ano.

A partir daquela experiência, a Oxford Economics estimou que os gastos com viagens e turismo cairão 60% agora.

Outro efeito registrado em 2003 durante a Sars - e que poderia se repetir com a gripe suína - é a redução, ainda que temporária, nos gastos de consumidores, que evitariam locais públicos para evitar contaminação.

"O que quisemos ressaltar é que os efeitos da redução nos gastos dos consumidores e em viagens podem potencialmente ser muito grandes, muito maiores do que o fato de que muitas pessoas não poderão ir ao trabalho", disse Marie Diron, da Oxford Economics.

Reação
A autora do estudo disse que as conclusões devem servir como alerta para o potencial "destrutivo" da gripe suína sobre a economia, contra o qual os governos podem atuar com medidas econômicas.

"As medidas mais óbvias seriam ajudar os setores mais vulneráveis, como turismo e hotelaria, em países onde o déficit público não é tão profundo. O governo poderia criar pacotes a exemplo do que fez com o setor automotivo", afirmou Marie Diron.

Ela acrescentou que o Brasil, embora tenha no turismo uma importante fonte de renda, tem mais espaço para agir que países ricos mais gravemente atingidos pela crise.

"O Brasil é um país que tem taxas de juros maiores que, por exemplo, a Grã-Bretanha", afirmou, "o que daria ao Banco Central mais recursos para impulsionar a economia e sair da crise, através do corte de juros".

Em seu estudo, a consultoria prevê dois cenários, a partir de 2011, quando a economia global se recuperaria do baque econômico da gripe suína.

No primeiro caso, semelhante ao que ocorreu após a Sars, os consumidores retomariam em um curto espaço de tempo seu nível normal de gastos. "Mas sabemos que as coisas não voltarão ao normal tão rapidamente quanto na ocasião da SARS, porque a economia sairá de um ponto de partida mais baixo", opinou Marie Diron.

"Um segundo cenário é que, por conta desse ponto de partida baixo, muitas empresas são empurradas para a falência pela gripe suína que ocorre em paralelo a vários outros fatores. Nesse caso o desemprego sobe muito mais do que podemos imaginar e, nesse caso, a economia mundial entra em deflação. Não acho que seria o caso do Brasil, mas veríamos deflação no mundo."

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