Gripe suína pode contaminar comércio e viagens dos EUA

Por Kyle Peterson CHICAGO (Reuters) - A letal epidemia mexicana de gripe suína pode prejudicar o comércio e as viagens entre Estados Unidos e México, caso provoque restrições a deslocamentos pela fronteira ou desperte medo nos consumidores, segundo analistas.

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Não está claro qual será o impacto da epidemia, pois os especialistas ainda tentam saber mais sobre a doença que já matou até 61 pessoas. No entanto, os setores naval e turístico estão especialmente em alerta.

"Se houver uma mudança significativa na demanda, pode-se acabar com um efeito muito substancial sobre os nossos produtos, seja (por causa de) restrições impostas pelo governo ou, alternativamente, se os consumidores simplesmente decidirem dizer 'não'", disse Bob Young, economista-chefe da Federação Americana do Burô da Agricultura.

A Organização Mundial da Saúde se diz preocupada com o registro de centenas de casos "como os de gripe influenza" no México. O grupo confirmou a ocorrência de uma nova variante de gripe suína nos EUA e disse que cerca de 60 pessoas já morreram no México.

Qualquer restrição ao comércio exterior devido à epidemia partiria do Departamento de Agricultura dos EUA, que tem o poder de "paralisar o movimento", segundo Russell Laird, diretor-executivo das Associações Americanas de Caminhões para o transporte agroalimentício. "Até agora não ouvimos nada, mas se esse apelo for feito certamente faremos nossa parte", disse ele.

Katherine Andrus, conselheira-geral da Associação do Transporte Aéreo (ATA), disse que a entidade está atenta às orientações dos órgãos de saúde, mas que por enquanto não há decisões no sentido de restringir as viagens entre EUA e México. "Realmente não esperaríamos uma suspensão do tráfego aéreo internacional por causa de algo assim."

Dados do Departamento do Comércio dos EUA mostram que cerca de 5,9 milhões de cidadãos dos EUA viajaram de avião para o México em 2008.

O último grave episódio sanitário que afetou o tráfego aéreo foi a epidemia de Sars (síndrome respiratória aguda grave) surgida na China em 2002 e que matou centenas de pessoas em vários países nos meses seguintes.

"A gripe aviária de 1997 e a Sars em 2002-03 matou a atividade econômica, então um problema de gripe suína em 2009 poderia resultar em mais do mesmo", disse Stephen Schork, editor de um boletim sobre energia.

Em 2008, o México foi o principal mercado para a carne bovina exportada pelos EUA, com o equivalente a quase 1,4 bilhão de dólares, e o segundo maior mercado para a carne suína, num valor de 691,3 milhões de dólares.

(Reportagem adicional de Bob Burgdorfer e Nick Carey em Chicago e Robert Gibbons)

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