Gripe suína pode ameaçar hemisfério sul no inverno, alerta OMS

Isabel Saco. Genebra, 4 mai (EFE).- O vírus da gripe suína está se movimentando em direção ao hemisfério sul, onde em breve começará o inverno, uma estação que favorece os surtos gripais, disse hoje o diretor adjunto da Organização Mundial da Saúde (OMS), Keiji Fukuda.

EFE |

Segundo as últimas estatísticas da OMS, os casos da gripe suína confirmados em testes de laboratório totalizam 1.005, incluindo 26 mortes, em 20 países.

A grande maioria dos casos segue ocorrendo na América do Norte , enquanto em Ásia, Europa e América Latina os contágios detectados estão relacionados com pessoas que viajaram ao México, assegurou o especialista em coletiva de imprensa.

Em relação a Espanha e Reino Unido, os dois países europeus com o maior número de pessoas infectadas, Fukuda ressaltou que se trata de "casos relacionados com viagens".

"Não temos certeza de quando recorrermos à fase 6", nível máximo na escala de alerta pandêmico da OMS, "nem se o faremos", declarou Fukuda, perante as insistentes perguntas de jornalistas sobre a que parece inevitável declaração de pandemia.

"Se o vírus se movimentar ao hemisfério sul, quando ocorrerá isso? Simplesmente é muito difícil de prever e não quero levantar falsas expectativas", explicou.

Em todo caso, reiterou que representantes da OMS vêm dizendo há dias que elevar ao máximo o nível de alerta revelaria que há uma transmissão fácil e regular do vírus de pessoa para pessoa em mais de uma região do mundo, mas não seria um indicador de que a doença é grave.

"A ideia é determinar o quão longe o vírus se expandiu", insistiu Fukuda, que lembrou que atualmente a doença só circula de maneira sustentada em México e EUA.

Sobre o que parece ser uma diminuição da incidência da gripe no México, o diretor adjunto da OMS disse que "há uma confusão a respeito deste fenômeno". Segundo ele, "as pessoas imaginam que uma pandemia surge em todos os lugares ao mesmo tempo".

O especialista esclareceu que é uma ideia errônea, pois o que pode ocorrer em uma pandemia é que em alguns lugares o vírus registre uma atividade intensa e alcance picos, enquanto em outros ocorra o contrário.

Fukuda lembrou que é isso o que acontece com as epidemias da gripe estacional, que acontecem no hemisfério que esteja no inverno, e advertiu que com esse novo vírus é provável que o padrão se repita.

Sobre a medida adotada pelas autoridades da China e de Hong Kong de restringir o movimento de cidadãos mexicanos que se encontram em seus territórios, Fukuda evitou comentar, mas disse que a quarentena é "uma medida razoável em uma situação específica".

Conforme explicou, a quarentena é diferente do isolamento, pois no primeiro envolve pessoas que se suspeita que possam estar infectadas em um ambiente em que é possível observar a evolução de seus sintomas, enquanto no segundo implica cortar o contato com o exterior.

Caso se declare o nível de alerta 6, tais medidas seriam inúteis "porque não se pode colocar todo mundo em quarentena", completou.

Fukuda disse que cientistas da OMS tentam determinar certas características ainda desconhecidas do vírus, como seu período de incubação e os fatores que o tornam mais agudos em certos locais.

Assim, por exemplo, os quadros de diarréia parecem estar mais associados a essa nova gripe que aos vírus conhecidos.

O comitê científico da OMS deve se reunir por teleconferência hoje para abordar essas questões, mas adiou para amanhã essa troca de informação, como informou Fukuda. EFE is/rr

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