Gripe suína mata 20 pessoas no México e infecta oito nos EUA

Um surto de gripe suína causou no México a morte de 20 pessoas e há cerca de mil outras infectadas pela doença, informou nesta sexta-feira o secretário de Saúde do México, José Angel Córdova. Além disso, oito pessoas foram infectadas pelo mesmo vírus nos Estados Unidos, de acordo com o Centro para Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

Redação com agências internacionais |


Em uma coletiva de imprensa, Córdova disse que o índice de mortos estava desacelerando e que não há plano para fechar as fronteiras do México devido ao surto da doença.

Nos Estados Unidos, o diretor do CDC disse à imprensa por telefone que a preocupação aumentou desde ontem. "Não temos informações suficientes para estimar por completo o risco à saúde deste novo vírus".

A Organização Mundial de Saúde (OMS), com sede em Genebra,  fez um alerta nesta sexta-feira para a existência da suspeita dos casos no México e nos Estados Unidos. O órgao informou que está formando um comitê de emergência para verificar se o surto de gripe suína que atinge esses países constitui uma ameaça internacional à saúde pública.

"A OMS convocará, algum dia em um futuro muito próximo, um comitê de emergência sob o Regulamento Sanitário Internacional, o qual analisará se estes episódios constituem ou não de um evento de saúde pública de preocupação internacional", disse em Genebra à Reuters o porta-voz Gregory Hartl.

Hartl acrescentou que 12 de 18 amostras tiradas das vítimas no México mostraram que o vírus possui uma estrutura genética idêntica ao vírus encontrado na Califórnia. No entanto, são necessárias novas informações epidemiológicas antes de qualquer mudança ao nível de alerta pandêmico da OMS, atualmente no número 3 de uma escala que vai de 1 a 6.

Preocupação

Nesta sexta-feira, autoridades mexicanas cancelaram as aulas de milhares de crianças que vivem na região central do país. O ministro da Saúde local disse que escolas e universidades na Cidade do México e arredores serão fechadas temporariamente e pediu que pessoas que apresentam os sintomas da gripe fiquem em casa e não saiam para trabalhar.

Esta medida afeta 7,5 milhões de estudantes e 420 mil professores distribuídos por cerca de 30 mil instituições de ensino, segundo a imprensa local.

A temporada da gripe no México normalmente termina em fevereiro ou março, mas neste ano se prolongou por mais tempo, disse o governo. As gripes sazonais costumam matar entre 250 mil e 500 mil pessoas por ano em todo o mundo.

O governo do Canadá pediu aos médicos que fiquem alertas para relatos de gripe vindos de pessoas que tenham viajado ao México recentemente, mas não desaconselhou viagens aos populares destinos litorâneos do país.

As autoridades canadenses estão especialmente atentas à difusão internacional de doenças respiratórias desde que, em 2003, Toronto foi atingida pela epidemia da Sars (síndrome respiratória aguda grave), atribuída em parte à demora na reação quando foram informados os primeiros casos da doença.

Campanha

O governo do México anunciou estar preparando uma campanha de vacinação em massa para deter o avanço da doença. "Estamos enfrentando um novo vírus de gripe, que agora é uma epidemia respiratória controlável. Seus sintomas são febre acima de 39 graus que aparece repentinamente, tosse, fortes dores de cabeça, musculares e nas juntas, irritação nos olhos e secreção nasal. Como resultado, o Ministério da Saúde recomenda que as pessoas evitem lugares lotados ou eventos onde o comparecimento não seja estritamente necessário", afirmou.

Além de evitar lugares lotados, o governo também aconselhou a população a evitar algumas formas de contato físico e o compartilhamento de objetos de cozinha como canecas e pratos.

AP

Gripe suína assusta mexicanos, que fazem fila em frente a hospital


Expansão do surto

De acordo com autoridades mexicanas, OMS não decretou o fechamento das fronteiras por causa dos casos de gripe suína detectados no país e que não há restrição para a entrada de turistas.

Córdova disse ter conversado com a diretora da OMS, Margaret Chang, a qual decidiu estabelecer um comitê de emergência para apoiar o México "em todos os sentidos".

"Vão enviar apoio técnico e remédios", disse o ministro, garantindo que as autoridades mexicanas não terão problemas "quanto ao fornecimento de medicamentos".

Entretanto, esgotadas as vacinas na maioria dos postos médicos e as máscaras nas farmácias, a população da Cidade do México não sabe muito bem como encarar a gravidade do surto de gripe suína.

Embora grandes filas tenham se formado no começo da manhã em alguns hospitais, o anúncio de que as vacinas tinham acabado dispersou as pessoas.

Até o momento, o preço da vacina se manteve estável em cerca de 400 pesos (cerca de US$ 30), mas os médicos consultados não sabem se seu custo aumentará diante do aumento da demanda.

Segundo o ministro da Saúde mexicano, os primeiros indícios apontam que o surto de gripe suína teve origem na Europa ou na Ásia, "sofreu mutações, foi transportado por um indivíduo e depois começou a se reproduzir".

AP

Policiais montam guarda em frente a hospital na Cidade do México


Consequências

Caso haja algum tipo de restrição a deslocamentos pela fronteira ou pânico entre consumidores, o surto da gripe suína pode prejudicar o comércio e as viagens entre Estados Unidos e México, de acordo com analistas. Não está claro qual será o impacto da epidemia, mas os setores naval e turístico estão especialmente em alerta.

"Se houver uma mudança significativa na demanda, pode-se acabar com um efeito muito substancial sobre os nossos produtos, seja (por causa de) restrições impostas pelo governo ou, alternativamente, se os consumidores simplesmente decidirem dizer 'não'", disse Bob Young, economista-chefe da Federação Americana do Burô da Agricultura.

Contudo, qualquer restrição ao comércio exterior devido à epidemia partiria do Departamento de Agricultura dos EUA, que tem o poder de "paralisar o movimento", segundo Russell Laird, diretor-executivo das Associações Americanas de Caminhões para o transporte agroalimentício. "Até agora não ouvimos nada, mas se esse apelo for feito certamente faremos nossa parte", disse ele.

Katherine Andrus, conselheira-geral da Associação do Transporte Aéreo (ATA), disse que a entidade está atenta às orientações dos órgãos de saúde, mas que por enquanto não há decisões no sentido de restringir as viagens entre EUA e México. "Realmente não esperaríamos uma suspensão do tráfego aéreo internacional por causa de algo assim."

Dados

Dados do Departamento do Comércio dos EUA mostram que cerca de 5,9 milhões de cidadãos dos EUA viajaram de avião para o México em 2008.

O último grave episódio sanitário que afetou o tráfego aéreo foi a epidemia de Sars (síndrome respiratória aguda grave) surgida na China em 2002 e que matou centenas de pessoas em vários países nos meses seguintes.

"A gripe aviária de 1997 e a Sars em 2002-03 matou a atividade econômica, então um problema de gripe suína em 2009 poderia resultar em mais do mesmo", disse Stephen Schork, editor de um boletim sobre energia.

Em 2008, o México foi o principal mercado para a carne bovina exportada pelos EUA, com o equivalente a quase US$ 1,4, e o segundo maior mercado para a carne suína, num valor de US$ 691,3 milhões.

(Com informações da Reuters, da AFP e da BBC)

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