Gripe suína faz EUA trabalharem em cenário de pandemia

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 30 abr (EFE).- Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS) ainda não tenha decretado o nível 6 de alerta, os Estados Unidos já trabalham em um cenário de pandemia, o que se traduz em centenas de colégios fechados, planos de contingência às empresas e o desenvolvimento de uma vacina.

O diretor do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, em inglês), Richard Besser, informou hoje que o vírus, que se propaga pelo país, já foi detectado em 11 estados, com 109 pacientes infectados.

"Conforme avançamos na busca, encontraremos mais casos, mais graves e severos", disse.

O Governo informou também que, assim que for identificada a variante do vírus, uma vacina começará a ser produzida. "Há centenas de pessoas trabalhando contra o relógio para achar uma resposta", disse o responsável do Centro.

Besser elogiou a decisão tomada na quarta-feira pela OMS de decretar o alerta 5, que indica uma pandemia iminente, porque obrigará os países aos quais a doença ainda não chegou a adotar medidas para enfrentar a doença.

No entanto, disse, os Estados Unidos estão um passo à frente, e já trabalham em um cenário de alerta 6, no qual a pandemia é uma realidade.

"Fizemos desta forma porque isso nos permite liberar todos os recursos disponíveis e estar preparados para o pior", disse a secretária de Saúde, Kathleen Sebelius. Além disso, ela destacou que foram dados os passos necessários para produzir uma vacina.

Em nível público, empresas e indivíduos elaboram planos de contingência, especialmente diante do possível fechamento de colégios.

Hoje, um total de 298 colégios permaneceu fechado nos Estados Unidos, nos quais foi confirmada ou houve suspeita da existência do vírus, enquanto outros 30 adotaram a mesma medida como precaução. No total, cerca de 176 mil estudantes não tiveram aula hoje.

"Fechar as escolas é uma decisão das autoridades locais, mas é uma medida que aconselhamos firmemente. Se um caso for detectado, o colégio deve fechar. É a melhor medida para controlar um surto, e que o vírus não se expanda", disse Sebelius.

A secretária de Segurança Nacional americana, Janet Napolitano, assim como fez o presidente Barack Obama na quarta-feira, recomendou às famílias e às empresas que tenham um plano de contingência caso os colégios fechem e as crianças sejam obrigadas a ficar vários dias em casa.

"Se o colégio fechou porque o vírus está presente na comunidade, isso significa que as crianças não podem ir a um shopping ou a um parque. Devem manter as crianças em casa. Esta é nossa recomendação", disse Napolitano.

"Estamos trabalhando estreitamente com o setor privado para que eduquem os funcionários e adotem planos de contingência", afirmou a secretária de Segurança Nacional.

Para as corporações americanas, a necessidade de possuir um plano deste tipo não é nova, já que o mesmo aconteceu com a gripe aviária, em 2005.

Companhias como Sprint Nextel, Microsoft, General Electric, IBM e Dell são algumas das que tiraram da gaveta os planos de contingência.

A Sprint, por exemplo, tem um programa para desinfetar os centros de trabalho localizados em áreas afetadas pela gripe, e a Microsoft ativou a "equipe diretora de emergências", encarregada de responder a distintas situações, como epidemias e desastres naturais.

Em nível público, as autoridades recomendaram à população que siga as recomendações simples, mas básicas, como tapar a boca ao tossir ou espirrar, com a mão ou o antebraço, e lavar as mãos com frequência.

O vice-presidente, Joseph Biden, no entanto, foi além e, em um programa de televisão, recomendou às famílias que evitem os "espaços fechados", como aviões, o metrô ou as salas de aula, para evitar contágios com a gripe causada pelo vírus AH1N1.

"Se tivesse que dar um conselho a um parente, eu diria para evitar os espaços fechados. Não é só ir ao México, é voar em um avião. Quando uma pessoa espirra, o vírus se espalha por todo o avião", disse Biden, em entrevista à "NBC".

Os comentários do vice foram rapidamente respondidos pelo secretário de Transporte, Ray LaHood, que esclareceu que "viajar é seguro" e que "não há necessidade de cancelar nenhum voo". "O transporte é muito seguro nos Estados Unidos", disse. EFE pgp/db

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