Gripe suína deixa mais de 20 mortos no México e ameaça EUA

Uma epidemia de gripe suína já matou mais de 20 pessoas no México, onde outros 40 óbitos são investigados, e ameaça os Estados Unidos, onde há pelo menos oito infectados, informaram as autoridades nesta sexta-feira.

AFP |

O secretário de Saúde do México, José Angel Córdova, revelou "que há 60 falecimentos com sintomas similares. Deste total, 20 foram confirmados e outros 40 são investigados" como casos de gripe suína.

Córdova destacou que trata-se de "uma epidemia, e não de uma pandemia", e informou que outros 1.004 casos são analisados na capital e na zona metropolitana.

Já a Organização Mundial de Saúde (OMS), com sede em Genebra, comunicou 18 óbitos no México por gripe suína, além de oito casos da doença nos Estados Unidos, onde apenas um paciente precisou ser hospitalizado.

A OMS qualificou a epidemia de "muito preocupante" e ativou a chamada sala de operações, que coordena ações para situações de emergência sanitária.

Córdova revelou que a epidemia é gerada por "um novo vírus da gripe suína", doença que em 1976 e 1988 "provocou alguns casos isolados nos Estados Unidos", procedente da Europa ou da Ásia.

"Como parte do genoma é do porco euroasiático, isto, sem dúvida, teve origem em uma destas zonas do mundo, e chegou com um indivíduo, antes de se reproduzir".

Córdova destacou que se houver mais contágios, o governo federal tem mais de um milhão de doses de antivirais de atuação específica para atender à população.

As autoridades da capital planejavam deflagrar uma grande campanha de vacinação, com a mesma vacina que utilizam contra a gripe, mas a OMS desaconselhou a medida e defendeu a aplicação de um antiviral.

O metrô da Cidade do México, que transporta 4,5 milhões de pessoas diariamente, está distribuindo máscaras para evitar o contágio entre os passageiros.

As aulas do pré-escolar até o universitário foram suspensas na capital mexicana e no estado do México, que formam uma área metropolitana de 20 milhões de habitantes, uma das maiores do mundo.

Devido ao foco de gripe suína, o presidente Felipe Calderón suspendeu uma viagem, nesta sexta-feira, pelo estado de Chihuahua, na fronteira com os Estados Unidos, confirmou uma fonte da Presidência.

Segundo as autoridades, qualquer pessoa que apresente os sintomas deve ficar em casa e solicitar ajuda médica. O governo pediu à população que evite locais de grande concentração, não use transportes públicos, utilize máscaras especiais e lave as mãos.

No aeroporto da Cidade de México, brigadas médicas foram mobilizadas, e questionários são aplicados a todos os viajantes sobre seu estado de saúde no momento do embarque ou da saída do avião, e diante de qualquer sintoma de gripe pede-se que recebam assistência médica e cancelem a viagem.

Os sintomas da doença são temperatura corporal superior a 39 graus, dor de cabeça e dores musculares intensas, cansaço, coriza, espirros e irritações na garganta.

O Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos também expressou sua preocupação ante o foco de febre suína.

"É óbvio que estamos muito preocupados. Estabelecemos centros de operações de emergência. Esta é a primeira vez que observamos uma cepa aviária, duas cepas suínas e uma cepa humana", declarou à AFP Dave Daigle, porta-voz da instituição ao explicar a estrutura do vírus detectado nos Estados Unidos.

A Casa Branca indicou leva a sério o alerta de gripe suína nos Estados Unidos e no México, e o presidente Barack Obama foi informado da situação, disse um porta-voz nesta sexta-feira.

"A Casa Branca leva o caso a sério e acompanha sua evolução. O presidente foi totalmente informado", afirmou Reid Cherlin.

A gripe suína, um vírus gripal do tipo A, pode se expandir de maneira muito rápida.

Esse vírus pode provocar o surgimento de um novo vírus da gripe, que seja tão virulento quanto o da gripe aviária, e tão transmissível quanto o da gripe humana.

Ele poderia ter as características necessárias para desencadear uma pandemia de gripe.

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