Gripe suína avança nos EUA, mas Obama nega motivo para alarde

Paco G. Paz.

EFE |

Washington, 27 abr (EFE).- O vírus da gripe suína já afetou 40 pessoas nos Estados Unidos, o dobro do que se acreditava até agora, uma situação que para o presidente Barack Obama é motivo de "preocupação, mas não de alarde".

As autoridades continuaram hoje com a campanha para evitar uma transmissão em massa do vírus, com recomendações gerais à população para não sair de casa caso se sinta doente, cobrir o rosto ao tossir, lavar as mãos e não cumprimentar outros com beijos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou hoje que os EUA são, com 40 pessoas infectadas, o segundo país com maior presença do vírus, embora longe ainda do México, onde o número de doentes ultrapassa 1.600.

No entanto, até ontem, o número oficial de pessoas doentes no país era só de 20, o que representa um aumento de 100% em menos de 24 horas.

O aumento se dá porque foi descoberto que, nas últimas horas, entre os alunos de um colégio de Nova York não há apenas oito doentes, mas 28.

O prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, reiterou que "este continua sendo um incidente isolado" na cidade, já que todos os casos confirmados partiram do mesmo foco, na escola St.Francis, no Queens, onde cerca de 100 estudantes apresentaram nos últimos dias sintomas de gripe.

Para o presidente Obama, porém, o aumento nos casos de gripe suína não é motivo de alarde.

"Estamos seguindo de perto o aumento dos casos nos EUA. Isto é obviamente um motivo de preocupação que requer um alto nível de alerta, mas não é um motivo para alarde", disse Obama em discurso na Academia Nacional de Ciências.

Esta é a primeira ocasião em que o presidente fala publicamente da rápida propagação do vírus, que causou pouco mais de 100 mortes, segundo números oficiais, apenas no México.

Obama explicou que a decisão do Governo de declarar estado de "emergência em saúde pública" foi motivada pela necessidade de dispor dos recursos necessários para fazer frente de maneira "rápida e efetiva".

O presidente americano disse estar recebendo relatórios de maneira permanente sobre o desenvolvimento da situação e antecipou que o Centro de Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dará informação regular à população sobre o estado da propagação do vírus.

Hoje mesmo, o diretor interino do CDC, Richard Besser, anunciou que, como medida de precaução, se decidiu extremar a vigilância nas fronteiras, com um maior controle dos passageiros que entram no país, especialmente do México.

Fontes do CDC explicaram que a partir de agora, e de maneira rotineira, se perguntará a cada passageiro sobre seu estado de saúde.

As autoridades americanas emitiram hoje também o primeiro alerta de viagem relacionada com a gripe suína e recomendaram que não se vá ao México a não ser em casos de extrema necessidade.

Além disso, nos voos que se dirijam ou retornem do país serão distribuídos folhetos explicativos sobre a doença e os sintomas mais comuns da gripe suína.

As autoridades americanas, por outro lado, rejeitaram o alerta de viagem emitido à União Europeia (UE) contra os EUA, por considerar que não se justifica.

"No momento, eu não poria restrições às viagens ou recomendações de não viajar aos EUA", disse à TV americana "CNN" o máximo representante do CDC, que no momento comanda as ações para frear a propagação da gripe suína.

"Não acredito (que a medida) se justifique", afirmou Besser, que ressaltou que poucos dos casos detectados demandarão hospitalização.

Com a afirmação, Besser respondeu às declarações feitas hoje pela comissária de saúde da UE, Androulla Vassiliou, nas quais recomendava evitar viagens desnecessárias aos EUA devido à gripe suína.

Os sintomas da gripe suína, um subtipo da tradicional cepa H1N1 (influenza estacional) que mutou dos porcos aos humanos, são febre superior a 39 graus, que se apresenta de maneira repentina, tosse, dor de cabeça intensa, dores musculares e nas articulações, irritação nos olhos e fluxo nasal. EFE pgp/rr

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