Redação Central, 27 abr (EFE).- O atual surto de gripe suína parece ser um vírus híbrido que também tem componentes das versões humana e aviária da doença, motivo pelo qual pode reunir a alta patogenia deste último tipo e a facilidade de ser transmitido de pessoa a pessoa.

Além disso, se trata de um vírus novo. Por isso, não é possível saber como pode se comportar, segundo os cientistas.

A gripe suína é uma doença respiratória que afeta os porcos causada pelo vírus da gripe tipo A, que provoca com frequência surtos de gripe entre estes animais principalmente no outono e inverno. Sua morbidade costuma ser alta e sua mortalidade, baixa (entre 1% e 4% dos casos).

Segundo o site da Organização Mundial da Saúde (OMS), os vírus mais comuns da gripe suína são do subtipo H1N1, embora existam outros como H1N2, H3N1, H3N2.

No geral, os vírus da gripe suína não infectam os humanos, embora haja informações sobre focos em pessoas em contato direto com porcos.

Há também alguns casos documentados de transmissão entre pessoas.

Em 1988, um foco de gripe suína em porcos nos EUA causou várias infecções em seres humanos. Um dos pacientes comprovadamente transmitiu o vírus a membros de uma equipe médica que o atendeu.

No entanto, da mesma forma que todos os vírus da gripe, o de sua versão suína mudam de maneira constante.

Além disso, os porcos podem ser infectados não só pelo vírus da gripe suína, mas também pelos dos tipos aviário e humano da doença.

Com isso, é possível que esses vírus possam intercambiar genes e originar novas mutações.

Os sintomas da gripe suína nas pessoas são similares aos da gripe comum - febre alta, tosse, dores de cabeça, músculos e articulações, irritação nos olhos e coriza, além de vômitos e diarréia -, mas a associação com uma pneumonia pode causar a morte.

O período de incubação estimado é de dez dias. Uma amostra do aparelho respiratório deve ser recolhida entre os quatro ou cinco primeiro dias de infecção para possibilitar o diagnóstico.

O contágio de uma pessoa a outra se produz da mesma forma que a gripe comum, principalmente quando alguém tosse ou espirra.

A OMS descarta, no entanto, que a gripe suína possa ser contraída após comer carne de porco ou seus derivados, e insiste em que não há risco se este tipo de alimento tiver sido manipulado e preparado de maneira adequada.

Segundo a organização, a preparação da carne de porco acima de 71°C elimina não só o vírus da gripe suína, mas também outros micro-organismos nocivos.

Existem vacinas para a prevenção da gripe suína em porcos, mas não para humanos, e ainda não se sabe se a vacinação disponível oferece algum tipo de proteção.

Há quatro medicamentos antivirais para prevenir e tratar da gripe suína: amantadina, rimantadina, oseltamivir e zanamivir, embora só os dois últimos parecem ter tido êxito contra a nova cepa do vírus.

A OMS possui cinco milhões de doses do medicamento Tamiflu (oseltamivir), o remédio usado contra a gripe aviária e que também é sensível à gripe suína.

Segundo a entidade, é possível que muitas pessoas, especialmente aquelas que não têm contato regular com porcos, não tenham imunidade contra o vírus de gripe suína.

Por isso, se um vírus de origem suína conseguir estabelecer uma transmissão eficiente de pessoa a pessoa, pode causar uma pandemia.

Por enquanto, a OMS não recomendou restrições para viagens às regiões afetadas.

Entretanto, autoridades de saúde aconselham os que seguem rumo às zonas de risco a seguir uma série de medidas de prevenção.

São elas: aumentar os cuidados com a higiene pessoal, lavando frequentemente as mãos com água e sabão; cobrir o nariz e a boca com um lenço ao tossir ou espirrar, e jogá-lo fora em um saco plástico; e evitar tocar os olhos, o nariz ou a boca.

As pessoas que viajarem a partir do México devem dar muita atenção à sua saúde durante os dez dias posteriores ao retorno e, em caso de febre, tosse ou dificuldade respiratória, devem procurar imediatamente os serviços de saúde.

No México, mais de 1.600 pessoas foram hospitalizadas por possível contágio de gripe suína. O Governo do país calculou em 103 o número de mortes suspeitas de terem sido causadas pela doença. EFE TSB-DOC/bba

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.