Gripe suína: 20 países afetados e autoridades mais otimistas

A gripe suína prosseguiu com seu avanço neste domingo e já afeta 20 países, mas as autoridades do México, origem da epidemia, se mostraram confiantes e afirmaram que a doença está em fase de declínio, enquanto os Estados Unidos também identificam sinais alentadores.

AFP |

O ministério salvadorenho da Saúde informou na noite de hoje que duas pessoas têm a gripe suína no país, o que faz de El Salvador o 20° país afetado pela epidemia.

O governo colombiano também anunciou hoje a confirmação do vírus, em um homem de 42 anos que retornou do México e vive perto de Bogotá.

Antes do comunicado de El Salvador, o site da Organização Mundial de Saúde (OMS) informava 898 casos de gripe suína, em 19 países, incluindo 506 no México, com 19 mortes, e 226 casos nos Estados Unidos, com um óbito.

As autoridades mexicanas, epicentro da epidemia, anunciaram neste domingo que o número de pessoas infectadas com o vírus no país subiu de 473 a 506 - o número de mortos permanece em 19 -, mas se mostraram otimistas.

A epidemia de gripe suína está em fase de declínio no México, mas o país não deve baixar a guarda, afirmou o ministro da Saúde, José Angel Córdova.

"O pico a nível nacional aconteceu entre 23 e 28 de abril", afirmou o ministro em uma entrevista coletiva, na qual também pediu ao país para "não baixar a guarda".

As autoridades mexicanas haviam informado há alguns dias 159 mortes provavelmente provocadas pela gripe A (H1N1), a última denominação que a Organização Mundial da Saúde (OMS) deu à gripe suína. No entanto, exames mais rigorosos realizados em laboratórios americanos e canadenses descartaram a maioria dos casos.

As autoridades de saúde dos Estados Unidos anunciaram neste domingo que a gripe suína está presente em mais da metade do país, com 226 casos confirmados em 30 estados.

O país permanece com apenas um caso fatal, um menino mexicano de menos de dois anos que faleceu no dia 27 de abril no Texas, um dos estados mais afectados, com 40 casos detectados até domingo.

O estado de Nova York permanece com o maior número de casos, 63, seguido de longe pela Califórina, com 26, segundo os Centros para o Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Ao mesmo tempo, as autoridades de saúde anunciaram sinais alentadores sobre o foco epidêmico de gripe suína, opinando que o vírus não parece mais perigoso que uma gripe sazonal.

"Constatamos sinais alentadores", declarou o diretor dos CDC, Richard Besser, ao canal Fox.

"Devemos colocar as coisas em perspectiva. A gripe sazonal que nos afeta todos os anos mata 36.000 pessoas nos Estados Unidos", lembrou.

"No caso da gripe suína A/H1N1 é alentador constatar que este vírus atualmente não parece mais severo que uma cepa de gripe sazonal", completou.

No entanto, o doutor Besser afirmou esperar que a gripe suína tenha "um impacto importante sobre a saúde das pessoas".

O terceiro país da América do Norte, Canadá, tem 101 casos da doença identificados.

"Ainda não constatamos uma transmissão sustentável fora do continente americano", observou o doutor Michael Ryan, diretor da Rede Mundial de Alerta e Ação em caso de Epidemia (GOARN) da OMS.

Na Espanha, país europeu mais afetado, o número de casos confirmados subiu para 44, com apenas seis pessoas hospitalizadas.

Os outros países europeus onde a doença já foi detectada são: Alemanha, Áustria, Dinamarca, França, Irlanda, Itália, Holanda, Reino Unido e Suíça.

No Oriente Médio, a doença atinge Israel, onde um quarto caso foi constatado. A gripe suína também já afeta Hong Kong e Coreia do Sul, na Ásia; e El Salvador, Costa Rica e Colômbia, na América Latina.

O vírus também chegou à Nova Zelândia, na Oceania.

O temor de propagação do vírus fez com que vários países adotassem medidas que alguns consideram exageradas.

O governo do Egito, por exemplo, ordenou o sacrifício de 250.000 porcos, o que gerou confrontos violentos neste domingo no Cairo entre criadores e policiais encarregados de executar a tarefa. Sete agentes de segurança ficaram feridos.

O vírus A (H1N1) também foi detectado em criações de porcos em Alberta (oeste do Canadá). Segundo as autoridades, os animais provavelmente foram expostos ao vírus por um agricultor que viajou recentemente ao México.

Apesar dos animais já estarem curados e da Agência Canadense de Inspeção de Alimentos (ACIA) ter anunciado que a segurança alimentar está garantida, a notícia pode ter repercussões sobre o comércio. Quinze países, entre eles China e Rússia, proibiram ou limitaram a importação de porcos ou seus produtos derivados procedentes dos Estados Unidos, Canadá e México.

A OMS, a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) afirmam e repetem que a carne de porco não é fonte de infecção.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) pediu que se procure impedir uma possível epidemia de gripe suína entre os porcos, com o objetivo de limitar uma propagação do vírus entre os humanos.

A organização explicou o risco vinha do contato de uma pessoa com as secreções do porco, e não da carne do animal.

A China também adotou medidas rígidas após a detecção do vírus em Hong Kong, ordenando a quarentena de pelo menos 41 mexicanos, o que provocou protestos do governo do México, que em represália desaconselhou viagens ao gigante asiático.

As autoridades também obrigaram os clientes e funcionários do hotel Metropark de Hong Kong - 300 pessoas no total - a permanecer em quarentena porque um mexicano, portador do vírus da gripe suína, passou algumas horas no estabelecimento.

O Papa Bento XVI expressou neste domingo aos países afetados pela gripe suína sua solidariedade, afirmando que reza pelas vítimas da doença.

"Desejo expressar minha proximidade e assegurar minha oração pelas vítimas da gripe que está afetando o México e outros países. Queridos irmãos mexicanos, permaneçam firmes no Senhor, Ele os ajudará a superar esta dificuldade. Os convido a orar em família neste momento de prova", afirmou o Sumo Pontífice em espanhol.

"Nossa Senhora de Guadalupe os assista e proteja sempre", acrescentou Bento XVI.

burs/fp/dm

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