Gripe se espalha e México praticamente para

Por Catherine Bremer CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O México começou a paralisar parcialmente sua economia na quinta-feira na esperança de conter o surto do vírus H1N1, enquanto autoridades do mundo todo aumentam as precauções contra uma iminente pandemia de gripe.

Reuters |

A Organização Mundial de Saúde disse que por enquanto mantém o nível 5 de alerta contra pandemia (numa escala de 1 a 6) e que não irá mais se referir ao vírus como "gripe suína", o que estava afetando injustamente os produtores de porcos, uma vez que não há casos desses animais contaminados.

Novos casos foram confirmados nos Estados Unidos e na Europa. Já a América do Sul continua livre da doença, pois a confirmação de um caso no Peru foi posteriormente desconsiderada.

As autoridades dos EUA dizem que novas infecções continuam ocorrendo, embora fora do México apenas um punhado de casos no mundo todo tenham exigido internação. Pelo menos 298 escolas dos EUA fecharam devido a possíveis contaminações pela gripe.

No México, país mais atingido, com até 176 mortes, o presidente Felipe Calderón determinou que órgãos públicos e empresas não-essenciais parem de funcionar durante cinco dias a partir de sexta-feira, numa tentativa de conter um vírus que não distingue barreiras de idade ou classe social.

"Não há lugar mais seguro do que o seu próprio lar para evitar ser contaminado pelo vírus", disse Calderón em seu primeiro pronunciamento televisivo desde o início da epidemia.

Na Cidade do México, onde o vírus já fez a vida pública praticamente parar, há quem esteja cético, e quem tenha decidido não deixar suas atividades.

"Fechar as empresas não é certo e não é justo. Vamos viver do quê? De ar?", indignava-se Andrés García, funcionário de uma alfaiataria no centro colonial da capital.

As "maquiladoras" (fábrica de montagem de produtos para exportação) também prometeram manter suas atividades, a exemplo de algumas minas do país.

Com o sumiço dos turistas, a reclusão dos consumidores e a redução das encomendas de exportações para os EUA, o México pode viver sua maior e mais longa recessão em vários anos, segundo analistas.

Os mercados globais, porém, não parecem se abalar muito com o noticiário, e Wall Street abriu em alta devido à expectativa de que os EUA possam estar se recuperando da recessão, embora depois tenha caído por causa da notícia da concordata da Chrysler.

Mas o economista-chefe do FMI, Olivier Blanchard, disse que a crise pode ser "bastante dramática" em alguns países, especialmente no setor turístico. Afirmou, porém, que é cedo para prever o impacto global sobre a economia mundial, que já vive uma grave recessão.

"A informação que temos a esta altura é de que é um evento (econômico) relativamente menor", afirmou Blanchard.

Estudos anteriores do Banco Mundial diziam que uma pandemia grave de gripe, que gere uma forte retração no comércio, poderia custar trilhões de dólares à economia mundial.

PERGUNTAS SEM RESPOSTA

A OMS e especialistas em gripe dizem ainda não saber o suficiente sobre a nova cepa de vírus a ponto de dizer realmente quão letal ele é, até onde pode se espalhar e por quanto tempo a eventual pandemia duraria.

As epidemias de gripe em geral duram semanas ou meses em uma dada comunidade, e podem se espalhar pelo mundo em uma ou duas ondas num prazo de 18 a 24 meses, antes de se extinguirem.

As autoridades dos EUA notificaram 109 casos confirmados, em 11 Estados. O Texas registrou a única morte pela doença fora do México --um bebê mexicano que estava de passagem.

Ao todo, 11 países registraram casos confirmados do vírus H1N1, sendo o último deles a Holanda, com uma criança de três anos que esteve recentemente no México.

Em todo o mundo, os preparativos contra a gripe se intensificaram desde que a OMS elevou o nível de alerta para 5, penúltimo estágio antes da pandemia propriamente dita.

A agência recomendou que todos os países monitorem casos suspeitos e exijam o uso de máscaras e luvas especiais por parte dos profissionais de saúde que atenderem os pacientes.

A OMS não chegou, no entanto, a sugerir restrições à livre movimentação de pessoas, produtos e serviços.

Keiji Fukuda, dirigente da entidade, disse a jornalistas que não há novas evidências que levem a OMS a elevar o grau de alerta para 6.

Estados Unidos, Canadá e muitos outros países alertaram os cidadãos a evitarem viagens não-essenciais ao México. Muitos turistas que estão no país tentam antecipar a volta, lotando os aeroportos.

Na Cidade do México, que tem 20 milhões de habitantes, todos os eventos públicos foram suspensos. Restaurantes, escolas e boates fecharam.

(Reportagem de Maggie Fox, Steve Holland e Lesley Wroughton em Washington, Julie Steenhuysen em Chicago; Jason Lange, Catherine Bremer, Alistair Bell e Helen Popper na Cidade do México; Laura MacInnis e Stephanie Nebehay em Genebra, Robin Emmot em Brownsville, Cynthia Johnson no Cairo, Phil Stewart em Roma e Yoko Nishikawa em Tóquio)

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