Gripe H1N1 deve custar até US$ 2,5 bilhões à Argentina

Por Guido Nejamkis BUENOS AIRES (Reuters) - A epidemia de gripe H1N1 agravará a situação da economia argentina, por causa dos prejuízos ao setor turístico, e acrescentará até 0,9 ponto porcentual à contração do Produto Interno Bruto (PIB) previsto para este ano, segundo cálculos privados.

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Em termos financeiros, o custo da propagação da nova cepa de gripe, que já causou a morte de 137 pessoas no país, seria de até 2,5 bilhões de dólares por causa do impacto em setores como hotelaria, transportes, de restaurantes e administração pública.

Buenos Aires e as principais cidades argentinas suspenderam as aulas e declararam emergência sanitária para impedir a propagação da epidemia, que lotou hospitais e provocou a renúncia da ministra da Saúde há duas semanas.

Na capital argentina, famosa por sua rica oferta de opções culturais, os teatros fecharam por 10 dias enquanto restaurantes, hotéis e centros comerciais sofrem com a falta de clientes, receosos de contrair a gripe.

"A gripe (H1N1) claramente afeta a economia", disse à Reuters Fausto Spotorno, economista-chefe da empresa Orlando Ferreres y Asociados.

Spotorno indicou que o PIB da Argentina poderá contrair-se entre 4,5 por cento e 5,5 por cento este ano, dependendo da extensão da crise sanitária, que responderia por até 0,9 ponto porcentual da queda se prolongar-se por 45 dias.

O governo afirmou esperar que a economia não se retraia este ano.

O economista mencionou o impacto da crise econômica mundial, uma forte seca que prejudica a produção agropecuária e uma grande saída de dólares do país por causa da incerteza política como as causas da contração prevista.

Se a propagação do vírus fosse contida em umas duas semanas, no que seria o cenário mais provável, o impacto negativo para a expansão do PIB seria de 0,6 por cento em 2009, explicou Spotorno, autor de um estudo sobre o impacto da epidemia na atividade econômica argentina.

O economista independente José Luis Espert disse na terça-feira à Reuters que por causa da gripe H1N1 seu prognóstico de contração econômica no terceiro trimestre passou a 0,8 por cento, com cálculo de estabilidade, quando a previsão anterior era de redução de 0,5 por cento.

Segundo dados oficiais, o PIB cresceu 2 por cento no primeiro trimestre em relação a igual período de 2008, sua menor expansão desde 2002.

As estatísticas oficiais, no entanto, estão amplamente desacreditadas e são questionadas até pelos funcionários da estatal que as elabora.

SEM SAIR DE CASA

Na Argentina há mais de 3.000 infectados pela influenza A, segundo dados oficiais, e o país é o segundo do mundo em quantidade de mortos pela nova gripe, só atrás dos Estados Unidos.

Cerca de 73 por cento dos habitantes de Buenos Aires e seus subúrbios, onde vivem quase 40 por cento da população argentina, restringiram a ida a lugares públicos como cinemas, teatros ou centros comerciais, segundo uma pesquisa recente da Universidade de Três de Fevereiro.

O turismo, que esperava uma boa temporada no inverno, graças principalmente aos visitantes do Brasil, está sofrendo com a ausência de turistas, assustados pela declaração de emergência sanitária.

O Ministério da Saúde brasileiro recomendou o adiamento de viagens para a Argentina e outros locais onde a transmissão do novo vírus é considerada sustentada.

Na alta temporada do inverno, a capacidade hoteleira de San Carlos de Bariloche, o maior centro de esqui da América Latina, está somente com 50 por cento de ocupação, disse à Reuters o secretário de turismo da cidade, Daniel González.

Dos 265 voos esperados do Brasil para Bariloche este ano, chegaram 145, acrescentou. Em Buenos Aires, principal destino do turismo estrangeiro à Argentina, a situação é semelhante.

"Os turistas brasileiros cancelaram em massa suas reservas por causa da gripe A. Mas esperamos que os que não vieram em julho venham finalmente na segunda quinzena de agosto", afirmou Gonzalo del Campo, gerente do Hotel Nuss.

(Reportagem adicional de Lucas Bergman)

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