Gripe H1N1 circulou entre porcos por uma década--especialista

Por Maggie Fox WASHINGTON (Reuters) - O novo vírus influenza H1N1 circulou sem ser detectado nos porcos por ao menos uma década antes de contaminar os humanos e é necessária uma vigilância muito maior tanto dos porcos quanto das pessoas, disse um especialista nesta terça-feira.

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Testes moleculares mostram que o vírus da gripe suína fez um salto mutacional ao passar dos porcos aos humanos, e aparentemente isso aconteceu há pouco tempo, disse Michael Worobey, da Universidade do Arizona, em um encontro de especialistas em gripe patrocinado pelo Instituto de Medicina dos EUA.

"Esse vírus muito provavelmente circulou sem ser percebido entre porcos por cerca de 10 anos," disse Worobey, especialista em rastrear a origem dos vírus usando uma tecnologia chamada relógio molecular.

"Uma vez que saltou para os humanos, ele provavelmente circulou por meses sem ser percebido. Há muito espaço para melhorias em nossa vigilância da gripe suína nos porcos."

O H1N1 foi detectado em humanos pela primeira vez em abril e foi declarada situação de pandemia em junho. O vírus se propagou com rapidez pelo mundo, mas até agora tem causado doença moderada, para alívio dos especialistas em saúde pública.

O Instituto de Medicina, uma organização independente que aconselha o governo dos EUA e outros organismos sobre questões de saúde, convocou a reunião para avaliar a pandemia e buscar maneiras de se preparar melhor para a próxima.

Os vírus influenza sofrem mutação regularmente e são fáceis de serem rastreados usando sua taxa de mudança, afirmou Worobey. Ele teve a colaboração de pesquisadores ao redor do mundo que forneceram amostras congeladas.

Ao comparar as sequências genéticas recentes com as amostras mais antigas, Worobey foi capaz de rastrear a evolução da pandemia.

TESTES RAROS

É difícil determinar onde as pessoas se infectaram pela primeira vez, afirmou ele, porque os médicos quase nunca testam os pacientes para influenza. Ainda é mais raro que se faça o sequenciamento genético do vírus.

"Poderíamos fazem mais para a vigilância nos humanos", afirmou Worobey. "Se estivéssemos fazendo esse tipo de coisa, poderíamos ter detectado essa nova cepa um mês, dois ou três meses antes do que o fizemos."

A nova cepa H1N1 foi identificada apenas em abril, em duas crianças na Califórnia. Naquela época ela já se propagava no México.

No momento, a versão do H1N1 em circulação não está sofrendo mutação -- um alívio para médicos e empresas que se preparam para uma campanha de vacinação global. Os especialistas, no entanto, acreditam que em algum momento ele começará a se modificar.

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