Gripe faz mexicanos terem Dia das Mães um pouco mais frio

Alberto Cabezas. México, 10 mai (EFE).- O México vive hoje um Dia das Mães atípico diante das recomendações para que se evite beijos e se reduza ao mínimo o contato físico, de modo a prevenir o contágio do vírus causador da gripe suína, que já deixou ao menos 1.

EFE |

578 infectados e 48 mortos no país.

A falta de carícias e abraços serão sentidas mais do que ninguém pelas 28,3 milhões de mães do México, a situação mais atípica desde que o jornalista Rafael Alducín Bedoya fez uma bem-sucedida chamada para que se passasse a celebrar a data, em 1922.

O Ministério da Saúde, que hoje não atualizou os números de infectados, publica na imprensa a recomendação geral de que as pessoas devem seguir "mantendo uma saudável distância".

"É indispensável que não baixemos a guarda, seguimos em alerta de saúde. Temos que continuar tomando ações antecipatórias e preventivas. Quem ainda não se juntou, que o faça a fim de conseguir conter essa epidemia", diz o Ministério.

No entanto, não há medidas específicas para o Dia das Mães, que normalmente faz com que milhões de famílias encham restaurantes e outros espaços públicos com ânimo festivo.

O jornalista José Agustín Ortiz Pinchetti, no jornal "La Jornada", lembra hoje em artigo que o dia é "a festa mais popular do México depois da de Guadalupe (12 de dezembro)".

"Eu acredito que a fidelidade do povo do México em relação ao Dia das Mães expressa o enorme papel da mulher como chefe de família", acrescenta.

Sem dúvida as mães mexicanas estarão hoje acompanhadas de seus entes queridos e será difícil que acatem com todo rigor as recomendações oficiais, especialmente na intimidade do lar.

Em locais públicos se deve manter uma distância de 2,25 metros entre outras pessoas, que não podem ser mais de quatro por cada dez metros quadrados.

"Pelo espaço que se deve deixar não pode haver uma lotação completa", informaram à Agência Efe fontes do Ministério da Saúde, que detalham as medidas.

O alerta de saúde declarado em 23 de abril passado estabelece, além disso, que os mexicanos devem "evitar ir a lugares movimentados", "apertos de mão ou beijos" caso estejam doentes, ou tocar com as mãos "olhos, nariz e boca".

Possivelmente o único conselho que não custará a ninguém para ser seguido hoje será o de "beber muitos líquidos", ideal para dias festivos.

Um vírus como o da gripe suína, que é transmitido majoritariamente por contato e que tem um período de incubação de "entre um dia e uma semana", segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), pode se esconder em qualquer gesto afetuoso.

Em Guadalajara, capital de Jalisco, um dos estados onde até há quatro dias não havia casos do vírus, mas que já registrou os primeiros e tenta comprovar se três mortes recentes se deveram à gripe, as medidas preventivas tomadas incluem neste dia os cemitérios.

Os seis da cidade, que habitualmente recebem milhares de pessoas que visitam os túmulos de mães mortas, estão fechados e só se permite o acesso a eles para enterros.

Porém, estão abertos os cemitérios dos municípios de Zapopan, Tlaquepaque e Tonalá, vizinhos a Guadalajara, embora quem queira pôr flores nos túmulos das mães terá que fazê-lo após colbrir a boca e tomando outras medidas de higiene.

A OMS informou hoje que há casos da gripe em 29 países do mundo e que já chegam a 4.379, o que representa um aumento de 939 infectados em um único dia.

Em relação aos Estados Unidos, há 2.254 casos, seguidos pelos 1.626 do México, 280 do Canadá e 93 da Espanha.

Segundo a ONU, os demais países com mais casos são Grã-Bretanha (39), França (12), Alemanha (11), Itália (nove), Costa Rica (oito), Brasil (seis) e Japão (quatro).

Apesar do nome, a gripe suína não apresenta risco de infecção por ingestão de carne de porco e derivados. EFE uz/rr

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