Gripe espanhola de 1918: 40 milhões de mortos entre a primavera e o inverno

A pandemia de gripe espanhola de 1918-19, que deixou pelo menos 40 milhões de mortos no mundo, desenvolveu-se em três ondas, uma delas na primavera (hemisfério norte), antes de dois focos letais observados durante o outono e o inverno.

AFP |

"As pandemias que conhecemos evoluíram em ondas. A pandemia de 1918 registrou uma onda em março-abril, exatamente no mesmo período (que o episódio atual) em que foi pouco mortal; a onda de outubro-novembro, que retornou pelo hemisfério Sul foi muito letal", explica Patrick Berche, chefe do serviço de Microbiologia do Hospital Necker Enfants Malades (Paris).

A pandemia de 1918 "se propagou mais ou menos simultaneamente em três ondas distintas, durante um período de 12 meses, em 1918-1919, em Europa, Ásia e América do Norte", ressaltam outros dois especialistas em um artigo intitulado "A gripe de 1918: a mãe de todas as epidemias", publicado em 2006.

Mas mesmo que a primeira onda tenha sido "a mais bem descrita nos Estados Unidos, em março de 1918", a origem geográfica do vírus não foi estabelecida, indicam Jeffery Tautenberger (Instituto de Patologia das Forças Armadas americanas) e David Morens (Institutos Nacionais de Saúde - NIH) na revista "Doenças Infecciosas Emergentes" dos Centros de Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

Durante a primeira onda, "os índices de pessoas doentes eram elevados, mas as taxas de mortalidade, na maioria dos lugares, não superavam os níveis normais", segundo esses especialistas.

Uma segunda onda, registrada de setembro a novembro de 1918, simultaneamente nos hemisférios Norte e Sul, foi altamente mortal.

Uma terceira onda, que também causou uma forte mortalidade, ocorreu no começo de 1919, o que correspondia ao inverno no hemisfério Norte.

"Pode o vírus ter sofrido uma mutação profunda e quase simultânea no mundo inteiro, nos curtos períodos entre as ondas sucessivas?", perguntam-se os especialistas.

Uma reação imunológica forte demais, causadora de uma destruição maciça das células do doente, poderia explicar a gravidade da gripe espanhola, segundo outros trabalhos de Jeffery Tautenberger publicados em 2006 na revista científica britânica Nature.

A taxa de mortalidade entre as pessoas que contraíram a gripe espanhola superou 2,5%, enquanto permaneceu inferior a um em cada mil (0,1%) durante outras pandemias gripais, lembram Tautenberger e Morens.

A gripe espanhola foi causada por um vírus H1N1 diferente do vírus da gripe que acaba de surgir no México.

Como os vírus gripais estão em evolução constante, seu nome completo indica sua origem geográfica e a data de seu aparecimento.

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