Gripe de animais ainda é uma ameaça, diz estudo

Por Maggie Fox WASHINGTON (Reuters) - A primeira leva de relatórios formais acerca do atual surto da nova gripe que assola o mundo mostra que se trata de um Frankenstein que mistura vários tipos de vírus, disseram pesquisadores nesta quinta-feira.

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Ele inclui um vírus "triplo", com elementos suínos, humanos e aviários, que já está em circulação pelo menos desde 1998. E tais misturas devem ocorrer e contaminar pessoas no futuro, segundo estudo publicado na revista New England Journal of Medicine.

A nova cepa do vírus H1N1 se espalhou globalmente, embora o epicentro da epidemia continue sendo a América do Norte. A Organização Mundial da Saúde busca sinais de que ele esteja dando origem a uma pandemia.

O Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA disse que 11 pessoas foram contaminadas por um vírus triplo -- aparentemente um ancestral da nova cepa - desde 2005. "Conforme sugerem os fatos recentes, a geração de novos vírus da gripe por meio da recombinação de vírus da gripe suína com outros vírus de gripes humanas e animais pode ser inevitável", escreveu o CDC.

O novo vírus inclui genes dessa cepa, mas dois genes são de vírus suínos que só haviam sido vistos na Europa.

Um gene chamado "M" teve mutações que tornaram o vírus resistente a medicamentos antivirais mais antigos, mas não a drogas mais novas, como Tamiflu e Relenza, segundo os pesquisadores.

Os outros genes eram claramente originários da América do Norte.

A neuraminidase (o "N" no nome do vírus) se parece muito com uma gripe suína inicialmente identificada na Bélgica. "Esses genes nunca haviam sido vistos nos EUA anteriormente", disse Michael Shaw, do CDC, a jornalistas. "Não temos ideia de se eles vieram para este hemisfério por (via) humana ou animal."

Ele disse que aparentemente esse vírus estava circulando incógnito em outros lugares, seja em humanos ou animais.

"Ele já estava bem adaptado à transmissão em humanos antes de aparecer. Nesse contexto, a possibilidade de novos vírus da gripe causando uma doença epidêmica ou pandêmica... continua sendo uma grande ameaça para a saúde pública", afirmou o relatório.

Entre os 11 pacientes contaminados pelo vírus suíno mais antigo, os sintomas eram ligeiramente diferentes da gripe sazonal. Mas cem por cento dos pacientes tinham sintomas típicos, como tosse, e 90 por cento tinham febre. Um terço teve diarreia, que é rara em gripes comuns. Todos os pacientes se recuperaram.

Um padrão similar é visto no novo vírus, segundo Fatimah Dawood, do Serviço de Inteligência Epidemiológica do CDC, e isso indica que ele pode ser transmitido por via fecal- oral, além dos modos tradicionais da gripe (tosse ou espirro). "Este é um novo vírus, e ainda estamos aprendendo como a transmissão ocorre."

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