Gripe ainda é ameaça mundial, México vê menos mortes

Por Catherine Bremer CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - O surto da nova gripe parece estar se estabilizando no México, mas autoridades alertaram neste sábado que o imprevisível vírus H1N1 ainda ameaça se tornar uma pandemia global.

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Autoridades mexicanas disseram que os hospitais estão recebendo menos pessoas com sintomas da nova variedade da doença, amplamente conhecida como "gripe suína". A estimativa de mortes causada pelo surto também foi revisada para baixo pelo governo.

"Ainda seria imprudente dizer que o pior já passou, mas eu acredito... que estamos em um estágio de estabilização", disse a jornalistas o ministro da Saúde do México, José Ángel Córdova.

Costa Rica, Itália e Irlanda confirmaram casos do vírus, que até agora já foi detectado em 18 países.

Em Genebra, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a influenza A (H1N1), como passou a chamar a doença, ainda não se espalhou de forma sustentável fora da América do Norte, mas ressaltou que isso provavelmente vai acontecer. Essa condição é necessária para elevar o alerta de pandemia para o nível mais alto da escala.

"Eu ainda diria que uma pandemia é iminente, porque nós estamos vendo a doença se espalhar", disse à imprensa Michael Ryan, diretor de Alerta e Resposta Global da OMS.

Em Hong Kong, a polícia isolou um hotel depois que um hóspede mexicano adoeceu com o novo vírus, que pode ter matado mais de 100 pessoas no México --nação mais afetada pelo surto.

O país considerou a medida "sem justificativa", e recomendou que seus cidadãos evitem viagens à China.

As autoridades mexicanas reduziram o número de mortes supostamente causadas pela nova gripe de 176 para até 101, depois que mais testes deram negativo. Além disso, menos pacientes com fortes sintomas de gripe deram entrada em hospitais, sugerindo uma menor taxa de infecção, e nenhuma morte foi reportada na Cidade do México nos últimos dois dias.

Segundo informações divulgadas neste sábado pela OMS, 15 países relataram 615 casos de contaminação pela gripe H1N1. A conta não incluía os casos confirmados na Irlanda, na Itália e na Costa Rica.

Os Estados Unidos, segundo país mais afetado, confirmavam 160 casos em 21 Estados.

Autoridades norte-americanas disseram que estavam mais confiantes com as notícias vindas do México sobre uma estabilização do surto, mas disseram que ainda é cedo demais para relaxar.

"Continuamos vigilantes", disse Anne Schuchat, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). "Vimos momentos em que as coisas pareciam estar melhorando e daí pioraram de novo."

Quase todos os casos registrados fora do México foram brandos. A única morte registrada em outro país foi a de uma criança mexicana que havia sido levada para os EUA antes de adoecer.

O presidente norte-americano, Barack Obama, afirmou que os EUA estão respondendo de forma agressiva à nova gripe, fechando algumas escolas temporariamente e distribuindo remédios antivirais conforme necessário.

EM BUSCA DE RESPOSTAS

Cientistas ainda estão tentando avaliar o comportamento do novo vírus e as diferenças em relação às variedades sazonais da gripe comum, que mata entre 250 mil e 500 mil pessoas por ano em todo mundo.

Ainda que o surto atual seja pequeno em relação a outras epidemias como a malária, a hepatite e a meningite, a OMS elevou o alerta de pandemia do nível 3 para 5 (numa escala até 6) na semana passada devido à rápida circulação da doença e à possibilidade de que pudesse afetar fortemente comunidades mais pobres e mais suscetíveis, incluindo portadores do HIV, vírus causador da Aids.

Hospitais públicos no México notaram uma queda firme no número de pacientes com febre, sugerindo que a taxa de infecção possa estar diminuindo com o uso de máscaras cirúrgicas e gel para as mãos.

O ministro mexicano disse que de 159 mortes associadas à gripe, 58 tiveram outras causas, segundo testes. Córdova afirmou que 16 mortes foram confirmadas para o H1N1 e 85 ainda estão sendo analisadas.

Na Cidade do México, parques, museus e zoológicos continuavam fechados na enorme metrópole de 20 milhões de pessoas. Muitos moradores atendiam aos pedidos do governo para que permanecessem em casa no feriado prolongado de cinco dias, tentando evitar novas infecções.

(Reportagem adicional de Cyntia Barrera, Louis Egan, Alistair Bell e Kieran Murray na Cidade do México, Tan Ee Lyn em Hong Kong, Laura MacInnis em Genebra e Silvia Aloisi em Roma)

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