Gripe: 1/3 da população mundial seria contaminada em caso de pandemia (OMS)

O número dois da OMS, Dr. Keiji Fukuda, afirmou nesta quinta-feira que, segundo estimativa razoável, um terço da população (mundial) seria contaminada em caso de pandemia da gripe suína.

AFP |

"Se condererarmos as pandemias do passado, uma estimativa razoável nos leva a pensar que um terço da população seria infectada", declarou o vice-diretor da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Nestas condições, mesmo se a doença for pouco virulenta, o número de pessoas que apresentariam complicações, desenvolvendo pneumonia, e morrendo, seria muito significativo, explicou durante uma teleconferência com a participação da imprensa.

"No passado, durante as pandemias, cerca de um terço da população mundial se contaminava. Mas vivemos hoje num mundo diferente. É prematuro fazer prognósticos" sobre a propagação do vírus mutante A(H1N1) em caso de pandemia, suavizou ele, no final.

A gripe suína contaminou até agora mais de 2.000 pessoas em 23 países e fez pelo menos 44 mortos no México e nos Estados Unidos, segundo os últimos números da OMS com base em análises laboratoriais.

As medidas restritivas para lutar contra a grippe suína estão sendo progressivamente levantadas um pouco em vários lugares no mundo, principalmente no México, o país mais atingido pelo vírus mutante A(H1N1), mas a OMS pede a "manutenção do estado de alerta e vigilância".

O Dr. Fukuda, confirmou que o vírus era menos virulento do que o que provocou a pandemia de gripe espanhola em 1918, mas advertiu que poderia seguir o mesmo caminho mais tarde, ainda este ano.

"A situação continua a evoluir. Não sabemos o que vai acontecer no Hemisfério Sul" onde o inverno propicia a proliferação dos vírus da gripe, insistiu.

O comportamento do vírus e a reação da população à doença no Hemisfério Sul é imprevisível, acrescentou. "A população é mais jovem nos grandes países em desenvolvimento e mais vulnerável, em alguns casos por causa da desnutrição, das guerras, da Aids", explicou o Dr. Fukuda.

É "muito cedo para cantar vitória", anunciou a Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelho e do Crescente Vermelho (FICR).

"Nos últimos dias, vozes se elevaram para acusar a comunidade internacional de ter reagido de forma exagerada a esta ameaça", comentou nesta quinta-feira, em Paris, Bekele Geleta, secretário-geral da FICR.

"Afirmamos, no entanto, que ainda é cedo para cantar vitória sobre o vírus H1N1 uma vez que temos até então um conhecimento bem imperfeito", acrescentou.

"Queremos dizer de maneira muito clara: no nosso ponto de vista, não estaremos jamais bem preparados para enfrentar uma tal ameaça".

"Isso não terminou. Estamos no alvorecer de uma infecção com o vírus H1N1", destacou o Dr Pierre Duplessis, enviado especial da FICR.

"O que acontecerá em duas semanas, em um mês, em seis meses ? Todos os elementos indicam que não se deve baixar a guarda", acrescentou.

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