Greve na Argentina termina hoje em meio a alertas de desabastecimento

Buenos Aires, 20 jun (EFE).- Os produtores rurais começaram a hoje deixar as dezenas de estradas da Argentina que mantinham bloqueadas em meio ao prolongado conflito com o Governo, que deixou o país em alerta devido ao desabastecimento de alimentos, combustíveis e produtos industriais.

EFE |

Após 101 dias de disputa com o Executivo pela crescente pressão do Fisco, as quatro principais entidades agropecuárias argentinas ratificaram que a partir da meia noite de hoje vão terminar com a quarta greve.

A paralisação atual consiste em não comercializar grãos para a exportação, porém o setor agrário adverte que o protesto continuará com "outra estratégia".

"Vamos deixar as estradas", assegurou Alfredo De Angeli, dirigente da Federação Agrária Argentina da cidade de Gualeguaychú, que ressaltou que o protesto vai ser transferido para a capital do país.

De Angeli, um dos símbolos das reivindicações do campo, disse que os produtores manterão reuniões "diárias" com os legisladores, que a partir da semana que vem começarão a discutir no Parlamento o esquema tributário sobre as exportações de grãos.

"O melhor que poderia acontecer é que o Congresso tratasse deste assunto. Nós democraticamente vamos fazer com que eles entendam que devem legislar a favor do povo que votou neles", afirmou em coletiva de imprensa em Gualeguaychú, onde os protestos foram mais intensos.

O líder disse também que os produtores agropecuários "não são os culpados" pelo desabastecimento nas principais cidades do país nem pelo aumento do preço dos alimentos.

"Estão nos atribuindo esse problema, mas não temos nada a ver com isso. Nós só bloqueamos a passagem de caminhões que transferiam grãos para a exportação", explicou.

Os diferentes setores do comércio voltaram a alertar hoje sobre a falta de produtos básicos como conseqüência do bloqueio de estradas.

A Associação de Supermercados Unidos e a Câmara de Supermercados publicaram um texto nos jornais locais reivindicando a livre circulação nas estradas e advertindo sobre um grave desabastecimento de alimentos devido aos bloqueios.

"Os numerosos bloqueios de estradas afetam o transporte de mercadorias em geral, não só dos grãos de exportação, e puseram em situação crítica a logística de todas as redes de supermercados", disseram ambas as entidades.

A União Industrial Argentina, a maior entidade empresarial do país, apontou também em comunicado que os bloqueios estão "forçando" as fábricas a dispensarem funcionários.

Deferentes fontes estimavam hoje em 20 mil os trabalhadores que tiveram que ser afastados e apontaram as indústrias automobilística, têxtil e alimentícia como as mais prejudicadas.

A distribuição de combustíveis também continua afetada, sobretudo no centro e no norte do país, onde em vários pontos as bombas já esvaziaram.

"Em Buenos Aires e no perímetro urbano o abastecimento é normal, mas há dificuldades no norte e no litoral do país, especialmente nas províncias de Córdoba, Entre Ríos, Santiago del Estero, Salta, Jujuy e Formosa", disse o presidente da Federação de Vendedores Varejistas de Combustíveis, Rosario Sica.

O conflito entre o campo e o Governo eclodiu em 11 de março, quando o Executivo impôs um novo esquema de imposto às exportações de soja, milho, girassol e trigo.

A medida levou os produtores rurais a realizarem bloqueios de estradas e quatro greves comerciais que foram interrompidas por breves tréguas, apesar de não ter se chegado a um acordo.

O conflito afetou a imagem da presidente argentina, Cristina Fernández de Kirchner, que enfrentou nesta segunda-feira grandes panelaços nas principais cidades do país e cuja popularidade caiu 36 pontos percentuais desde que assumiu seu mandato há seis meses. EFE cw/rr

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