Greve de pilotos leva Lufthansa a cancelar 3 mil voos

Milhares de voos foram cancelados nos principais aeroportos da Alemanha - Frankfurt, Dusseldorf, Munique, Hamburgo e Berlim - nesta segunda-feira, no início de uma greve de quatro dias de pilotos da companhia aérea alemã Lufthansa. A companhia já cancelou cerca de 3 mil voos e advertiu que a greve provocará atrasos em saídas domésticas e internacionais.

BBC Brasil |

Normalmente a Lufthansa opera 1,8 mil voos diários, incluindo 160 intercontinentais.

A Lufthansa está oferecendo passagens de trem para passageiros de voos domésticos e tentando transferir passageiros de voos internacionais para outras companhias aéreas.

Os aeroportos mais afetados são os de Munique e Frankfurt.

Crise econômica
Cerca de 4 mil pilotos do serviço de transporte aéreo de passageiros, carga, e da subsidiária de passagens baratas Germanwings, cruzaram os braços em uma disputa sobre segurança no emprego, e não devem voltar ao trabalho até a meia-noite de quinta-feira.

O correspondente da BBC em Frankfurt, Steve Rosenberg, disse que a Lufthansa está tentando colocar cerca de mil aviões no ar nesta segunda-feira. A empresa conta com gerentes com brevê de aviação e pilotos de subsidiárias regionais para estes voos, acrescentou.

Antes do começo da greve, o ministro dos Transportes da Alemanha, Peter Ramsauer, advertiu que a greve vai afetar a economia do país e a reputação da Lufthansa.

A companhia aérea, uma das maiores do mundo, teme que a greve possa custar até US$ 34 milhões por dia.

Assim como outras companhias aéreas globais, a Lufthansa vem sendo afetada pela crise econômica. As vendas nos primeiros nove meses de 2009 tiveram uma queda de 13%.

Além de sofrer o impacto de uma diminuição do número de passageiros, a companhia enfrenta a concorrência de empresas que vendem passagens mais baratas e o alto preço dos combustíveis.

Salário mais baixo
O Sindicato dos pilotos, Cockpit, disse que a Lufthansa está contando cada vez mais com pilotos estrangeiros que aceitam salários mais baixos.

A associação classista receia que a empresa tente reduzir custos com pessoal através da transferência de vagas para suas subsidiárias estrangeiras como Austrian Airlines ou Lufthansa Italia, onde os salários são mais reduzidos.

O salário anual inicial para um primeiro oficial no cockpit da Lufthansa é de 62 mil euros (o equivalente a cerca de R$ 152 mil), e o de capitão é de 115 mil euros (o equivalente a cerca de R$ 282,5 mil), de acordo com o website de recrutamento da empresa.

O sindicato pediu um aumento salarial de 6,4% para os pilotos, maior participação nas decisões da companhia e a garantia de que os pilotos vão manter os seus empregos quando a Lufthansa transferir passageiros para afiliadas estrangeiras mais baratas.

Mas um porta-voz da companhia, Andreas Bartels, disse à BBC que o temor dos pilotos de que as vagas serão transferidas para outros locais é infundado e acrescentou que os sindicatos não mandam na Lufthansa.

"Não se trata de dinheiro. Os sindicatos deixaram muito claro que desejam chegar a um entendimento no que diz respeito a dinheiro, mas é sobre influência política na estratégia da companhia e isso é uma coisa que nós não podemos aceitar."
O porta-voz de Cockpit, Joerg Handwerg, disse: "A gerência da Lufthansa não está interessada no diálogo, mas não diz isso publicamente."

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