Greve de pilotos da Lufthansa provoca cancelamento de 900 voos

Por Maria Sheahan e Rhys Jones FRANKFURT/LONDRES (Reuters) - Uma greve de pilotos da empresa alemã Lufthansa levou ao cancelamento de cerca de 900 voos nesta segunda-feira, enquanto tripulantes da concorrente British Airways também decidiram parar em protesto aos cortes de gastos na empresa.

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A greve da Lufthansa envolve em torno de 4.000 pilotos e deve durar quatro dias, causando caos e retendo milhares de passageiros no mundo todo. Os pilotos temem a perda de seus empregos se a empresa decidir transferir vagas para unidades estrangeiras.

O setor aéreo acaba de viver o pior ano de sua história, e os empregados estão cada vez mais impacientes com a pressão dos patrões para apertar os cintos.

"Gostaríamos de chegar em casa depois de um voo tão longo", disse Brawn van Mulheim, passageiro da Lufthansa retido em Munique numa conexão na viagem Nova York-Bruxelas.

As grandes empresas aéreas da Europa vêm tentando cortar custos enquanto perdem mercado para concorrentes que oferecem voos mais baratos, como Ryanair e EasyJet. A Lufthansa, por exemplo, pretende reduzir seu orçamento em 1 bilhão de euros (1,36 bilhão de dólares) até 2011.

Em setembro, a empresa completou uma série de aquisições, com a adesão da Brussels Airlines, da Austrian Airlines e da BMI entre seus parceiros estáveis, além de lançar a Lufthansa Italia.

Os pilotos aceitariam abrir mão de aumentos salariais se tivessem controle parcial sobre quais rotas ou postos de trabalho seriam transferidos para as outras empresas do grupo. A direção rejeitou essa proposta, alegando que equivaleria a entregar ao sindicato uma parte importante da sua estratégia de negócios.

No caso da British Airways, a empresa espera que três quartos dos seus tripulantes aceitem um congelamento de salários neste ano, e que 3.000 passem a um regime de meio período. Além disso, voos de longo curso partindo de Heathrow (Londres) teriam sua tripulação reduzida de 15 para 14.

Os funcionários da British já haviam tentado fazer uma greve de 12 dias durante o Natal, mas que foi proibida pela Justiça. O sindicato da categoria disse que ainda não há data para a greve, mas prometeu não parar a empresa durante o feriado da Páscoa, no começo de abril.

A British disse que a greve é "completamente injustificada" e prometeu que "não permitirá que o (sindicato) Unite arruíne esta empresa."

Para completar, controladores aéreos franceses pretendem fazer greve entre terça e sábado para protestar contra a política aeroviária única europeia, o que deve causar cancelamento de voos nos aeroportos parisienses de Orly e Charles de Gaulle.

As ações da Lufthansa e da British Airways operam em queda nesta segunda-feira.

(Reportagem adicional de Anna Willard)

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