Greve afeta abastecimento no aeroporto de Lisboa

A greve dos caminhoneiros em Portugal, em protesto contra os preços dos combustíveis, já começa a afetar o abastecimento de empresas de aviação que operam no país. O aeroporto de Lisboa, a principal entrada de brasileiros na Europa, só tem combustível para emergências, e as empresas estão sendo orientadas a realizar escalas para reabastecer ou para chegar de tanque cheio.

BBC Brasil |

"Lisboa utiliza 2,5 milhões de litros de combustível por dia. Temos reservas, mas neste momento só são disponibilizadas para emergências, vôos militares e autoridades de Estado", diz Rui Oliveira, assessor de empresa da ANA, a empresa que administra os aeroportos portugueses.

Ele conta que, até agora, não houve grandes alterações no movimento do aeropoto. "As empresas foram avisadas antecipadamente e até agora nenhum vôo foi cancelado", afirmou.

Escalas
As empresas que operam vôos de longa distância, como para o Brasil, estão tendo de fazer escalas em outros aeroportos para abastecer, o que gera gastos extras e atrasos.

"Os vôos de São Paulo, do Rio de Janeiro, de Brasília e do Recife fizeram uma escala técnica no Porto para abastecer. O vôo de Salvador parou no Funchal (Ilha da Madeira). Só o de Belo Horizonte não foi afetado porque o avião já estava no aeroporto um dia antes. Essas escalas técnicas podem gerar situações de atraso", conta Isabel Palma, das relações públicas da empresa aérea portuguesa TAP.

Segundo Isabel, para os vôos de menor distância, "a orientação é para virem de tanque cheio, sem precisar abastecer em Lisboa".

Apenas um vôo charter - que estava levando torcedores portugueses para ver o jogo de Portugal pela Eurocopa na Suíça - teve de parar no Porto para reabastecer.

Morte de caminhoneiro
O movimento contra o aumento dos preços dos combustíveis está sendo realizado fora das associações do setor - a principal delas, a Associação Nacional de Transportes Rodoviários de Mercadorias, posicionou-se contra a paralisação e está negociando com o governo.

Durante a tarde de terça-feira, um caminhoneiro foi morto em um piquete 100 km ao norte de Lisboa ao tentar parar um caminhão. Um caminhão foi queimado, e vários apedrejados.

Além de provocar enormes filas nos postos de gasolina, a greve também está afetando o abastecimento dos supermercados - que não é feito há dois dias -, e a coleta do leite dos produtores, que está parada.

Espanha e França
Na Espanha também ocorrem paralisações, que chegaram a fechar a fronteira com a França, deixando mais de 3 mil caminhões parados.

As negociações com o governo espanhol fracassaram, e a Guarda Civil prendeu os motoristas que paralisaram a auto-estrada A-1, uma das principais do país. Os acessos a Madri foram fechados pelos caminhoneiros.

Onde não há fechamento de estradas, os motoristas estão em "operação tartaruga".

Também na Espanha houve uma morte: em Granada, um piqueteiro foi atropelado por uma perua na porta de uma central de abastecimento.

Na França, além da paralisação dos motoristas de caminhão, os ferroviários também entraram em greve.

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