Gregos fazem passeata contra cortes orçamentários

Grevistas protestam em Atenas, capital do país, contra medidas fiscais exigidas pelo FMI e União Europeia

Reuters |

Milhares de grevistas gregos fizeram nesta quinta-feira uma passeata até o Parlamento, protestando contra as medidas de austeridade fiscais exigidas pela União Europeia e pelo FMI para tirar a Grécia da sua crise fiscal.

"Saiam, ladrões", gritavam os manifestantes em frente ao prédio neoclássico do Parlamento, cujas escadarias estavam tomadas por tropas de choque com escudos e cassetetes. Outros milhares de manifestantes, levando cartazes, ocupavam um amplo bulevar de mais de 1.500 metros, que desemboca na praça do Parlamento.

AP
Milhares de manifestantes participam de passeata em Atenas

Em troca de um pacote de 110 bilhões de euros para controlar sua dívida e seu déficit público, o governo grego se viu obrigado a cortar salários, elevar impostos e propor uma reforma previdenciária, causando forte reação popular.

"Essas medidas estão destruindo tudo pelo que lutamos. Cadê as medidas contra o desemprego? Não fomos nós que criamos esta crise", disse o desempregado Nikos Galiatsatos, 26 anos.

Velas foram colocadas em meio às flores, agora secas, no altar improvisado que surgiu diante da fachada enegrecida de um banco onde três empregados, inclusive uma grávida, morreram em 5 de maio, quando vândalos quebraram vidros e atiraram bombas incendiárias dentro do local.

Essas mortes - e o temor de mais violência - podem atenuar os protestos desta vez. O Pame, principal sindicato comunista, habitualmente uma disciplinada vanguarda dos protestos trabalhistas gregos, desistiu de participar da passeata de quinta-feira.

"Não sei o que eles vão fazer em frente ao Parlamento, mas não estamos com eles e não estaremos lá", disse um dirigente do Pame à Reuters. Policiais acompanharam de perto um grupo de jovens que levava bandeiras anarquistas, na parte de trás da marcha.

A greve de quinta-feira foi convocada por sindicatos que representam 2,5 milhões de trabalhadores, metade da força de trabalho do país.

Escolas e órgãos públicos ficaram fechados, e hospitais se limitam ao atendimento essencial. Atrações turísticas, como a Acrópole, também fecharam, houve transtornos em voos domésticos, e navios foram impedidos de atracar ou zarpar no porto de Pireus.

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