Greenspan admite erro de ideologia à frente do Fed

O ex-presidente do Fed (Federal Reserve Bank, o Banco Central dos Estados Unidos) Alan Greenspan admitiu pela primeira vez nesta quinta-feira, em depoimento no Congresso americano, que cometeu erros durante seus anos no cargo que podem ter colaborado para o surgimento da atual crise financeira global. Respondendo a perguntas do presidente da Comissão de Supervisão e Reforma do Governo da Câmara dos Representantes, Henry Waxman, Greenspan disse que havia uma falha no modelo que percebeu como sendo a estrutura crítica de funcionamento que define como o mundo funciona.

BBC Brasil |

"Em outras palavras, você descobriu que sua visão do mundo, sua ideologia não estava certa, não estava funcionando?", questionou Waxman.

"Exatamente, é exatamente isso que me deixou chocado, porque eu estava indo para 40 anos ou mais de indícios consideráveis de que isso estava funcionando excepcionalmente bem."
O ex-chefe do Fed também fez sua avaliação da crise financeira, descrevendo-a como "um tsunami de crédito que acontece uma vez por século" e advertindo que demorará "muitos meses" para que o mercado imobiliário americano se recupere.

"Bancos centrais e governos estão tendo que adotar medidas sem precedentes", afirmou. "Visto o estrago financeiro até agora, não vejo como possamos evitar um aumento substancial em demissões e no desemprego."
Incredulidade
Alan Greenspan foi o presidente do Fed por 18 anos, deixando o cargo em 2006.

Durante esse período, era considerado uma das pessoas mais influentes do mundo, já que suas decisões a respeito da condução da economia americana afetavam diretamente todo o sistema financeiro global.

Uma das maiores críticas feitas a Greenspan é que ele manteve as taxas de juros americanas baixas demais por um tempo excessivo, facilitando a oferta de crédito e, assim, alimentando a bolha imobiliária que está na raiz da atual crise.

"Eu cometi um erro em supor que o interesse das organizações, especialmente dos bancos e de outras empresas, faria com que elas estivessem melhor capacitadas para proteger seus próprios acionistas e suas ações nas empresas", disse Greenspan.

"Aqueles de nós que acreditavam que era do interesse das instituições credoras proteger seus acionistas, incluindo eu, estamos incrédulos, em estado de choque."
Rússia
As declarações de Greenspan foram feitas em mais um dia de instabilidade nas bolsas de valores de todo o mundo.

Na Europa, os principais índices registraram quedas significativas durante o pregão, mas acabaram recuperando terreno no fim do dia.

Em Londres, o FTSE 100 fechou em alta de 1,16%; em Paris, o CAC subiu 0,38% e o Dax, de Frankfurt, teve alta de 1,12%.

Na Rússia, o governo decidiu gastar mais de suas reservas em uma tentativa de segurar a desvalorização de sua moeda, o rublo. O país gastou US$ 15 bilhões n última semana com esse objetivo, reduzindo suas reservas para US$ 515,7 bilhões.

Também nesta quinta-feira, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, lançou a idéia de criar um fundo de investimento estatal para proteger companhias nacionais e pequenas empresas em dificuldades.

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