Grécia vive 6º dia de distúrbios pela morte de jovem em Atenas

Atenas, 11 dez (EFE).- A Grécia viveu hoje, pelo sexto dia consecutivo, graves distúrbios sociais em Atenas e em outras localidades do país, provocados pela morte de um jovem de 15 anos por um disparo da Polícia em um bairro da capital grega, no sábado passado.

EFE |

Centenas de estudantes enfrentaram a Polícia hoje em vários pontos de Atenas, atirando pedras e artefatos explosivos contra delegacias.

Em seis delas foram registrados danos materiais, enquanto uma pessoa que passava na localidade de Halandri, perto da capital, ficou levemente ferida por uma pedra.

No município de Agios Dimitrios, ao sul de Atenas, a Prefeitura foi ocupada pelos estudantes e no porto de Piraeus, cerca de 500 alunos e professores mantêm uma avenida principal bloqueada e a metade das escolas estão fechadas ou ocupadas.

A Federação Grega de Professores de Escolas Estaduais do Ensino Médio (OLME) estimou hoje que centenas de centros escolares em todo o país estejam ocupados pelos próprios alunos em protesto pela violência policial.

O canal de televisão "Mega" informou hoje que nos seis dias de crise a Polícia utilizou cerca de 4.200 bombas de gás lacrimogêneo, por isso que teve que encomendar mais a uma empresa em Israel.

Em Salônica, ao norte do país, a situação estava mais calma após os distúrbios de ontem entre radicais e Polícia, embora para esta tarde se espere uma nova manifestação estudantil que poderia resultar em atos violentos.

A Grécia, um dos membros da União Européia (UE) e com uma taxa de desemprego juvenil superior a 20%, vive desde sábado uma onda de violentos distúrbios, que estão pondo sob pressão o Governo do primeiro-ministro democrata-cristão, Costas Caramanlis.

À espera do avanço do procedimento legal contra os policiais envolvidos na morte do adolescente, o Parlamento fez hoje um minuto de silêncio em memória da vítima.

O ministro do Interior grego, Prokopis Pavlopulos, declarou perante o plenário da Assembléia que "ninguém pode antecipar o veredicto, mas qualquer que seja a decisão, será severa".

Pavlopulos acrescentou que "nada pode justificar a forma como o policial atacou um menor, qualquer que tenham sido as circunstâncias, e também não a forma que utilizou para defender-se".

No testemunho apresentado ontem perante o juiz, o agente acusado de "homicídio culposo" alegou que não foi sua intenção matar o jovem, que disparou para o alto para defender-se e que a vítima mostrava "um comportamento conflituoso".

Os colégios nos quais Alexandros Grigoropulos estudou em Atenas desmentiram hoje categoricamente as afirmações do policial, declarando que o jovem morto era um rapaz de "conduta exemplar e querido por seus companheiros e professores".

O ministro Pavlopulos qualificou os manifestantes que causaram danos materiais de cerca de 200 milhões de euros aos estabelecimentos comerciais do centro de Atenas como "inimigos da democracia" e reiterou que "a infração à lei será castigada".

Por sua vez, o líder da oposição, o socialista Giorgos Papandreu, que tinha solicitado esta semana a renúncia do Governo conservador, declarou hoje que o país vive "a ausência de um Estado de direito que deveria proteger as vidas, os bens e os direitos dos cidadãos".

"O futuro não se constrói com a violência", disse o dirigente socialista após uma reunião com comerciantes do centro de Atenas, especialmente afetados pelos distúrbios, que arruinaram o grande negócio natalino.

O líder da Coalizão de Esquerda Radical (Siriza), Alekos Alavanos, acusou hoje no Parlamento o executivo de Caramanlis de ser o "responsável pelo ocorrido".

"Este Governo não pode permanecer no poder", disse o líder do Siriza, enquanto um porta-voz do Partido Comunista da Grécia (KKE) manifestou hoje que "os surtos de violência da Polícia são um assunto que se repete, não um fato isolado". EFE afb/ab/plc

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