Grécia enfrenta o terceiro dia de distúrbios

A Grécia enfrenta nesta segunda-feira o terceiro dia distúrbios em várias cidades devido aos protestos contra a morte de um adolescente de 15 anos, identificado como Andreas Grigoropoulos, que foi baleado por um policial no sábado.

AFP |

Em Salônica, 300 pessoas protestaram durante a madrugada diante de uma delegacia de polícia, mas não obtiveram reação dos agentes. No decorrer do dia, os manifestantes prevêem novas mobilizações em algumas cidades, inclusive em Tesalônica, a segunda maior cidade do país.

Cerca de 150 pessoas atenderam ao apelo do Partido Comunista da Grécia (KKE) que convocou uma manifestação na manhã desta segunda-feira no centro da capital para preparar a greve geral de 24 horas que os principais sindicatos convocaram há algum tempo.

"Não se trata de um fato isolado (a morte de um jovem), as forças de segurança estão aterrorizando todo mundo e o Estado permite isso", afirmou um manifestante à AFP.

A Coalizão da Esquerda Radical (Syriza) convocou outra manifestação para a tarde desta segunda-feira no campus da Universidade de Atenas.

O primeiro-ministro grego, o conservador Costas Karamanlis, expressou no domingo condolências à família do falecido. "Como todos os gregos, estou profundamente chateado. Ninguém pode aliviar essa dor", disse Caramanlis, garantindo que não haverá nenhuma indulgência aos responsáveis pela morte.

Sábado, após saber da morte de Andreas, centenas de manifestantes, a maioria vizinhos do bairro central de Exarchia, onde aconteceu o incidente, saíram às ruas para protestar contra a "arbitrariedade" policial e contra o governo de Caramanlis.

O policial que abriu fogo contra o adolescente foi detido domingo e acusado pela promotoria de "homicídio voluntário".

O agente, identificado como Epaminondas Korkoneas, de 37 anos, está detido, assim como o colega Vassilis Saraliotis, de 31 anos e que o acompanhava na patrulha, que foi acusado de "cumplicidade".

Isso não impediu que durante todo o fim de semana fossem registrados incidentes e enfrentamentos entre manifestantes e forças de segurança principalmente na capital do país, Atenas, e em Patras (oeste), Tesalônica (norte) e Iráclio (capital da ilha de Creta).

Os manifestantes lançaram coquetéis molotov e pedras contra a polícia em várias cidades do país e os oficias responderam com gás lacrimogêneo, deixando pelo menos 20 pessoas levemente feridas.

Os manifestantes saquearam lojas e incendiaram agências bancárias e veículos.

Somente em Atenas, segundo os bombeiros, 24 agências, 35 lojas, 24 veículos, 12 casas e escritórios do Partido Conservador foram atacados.

Grupos de jovens ocuparam os campi universitários e as reitorias das universidades de Atenas e de Tesalônica, por exemplo, ordenram o fechamento dos campi durante pelos menos dois dias.

Segundo uma fonte policial, "esta é a maior onda antipolicial já vista na Grécia".

Os incidentes colocaram o governo de Caramanlis, já muito enfraquecido pela crise econômica, em uma situação muito delicada.

"A explosão da juventude pode desencadear uma série de reações e trazer à tona problemas sociais como o desemprego entre os jovens e o aumento do custo de vida", afirma o cientista político Georges Sefertzis.

Os enfrentamentos entre policiais e grupos de jovens anarquistas são freqüentes no bairro de Exarchia, um dos mais politizados do país, conhecido como o "gueto dos anarquistas".

Lá nasceram as grandes manifestações de estudantes que, em 1973, desembocaram na queda da ditadura dos coronéis.

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