Grécia enfrenta greve geral e voos são suspensos

Por Renee Maltezou e Ingrid Melander ATENAS (Reuters) - Dezenas de milhares de trabalhadores em greve marcharam pelas ruas de Atenas na quarta-feira para protestar contra os planos de austeridade com vistas a tirar a Grécia de uma crise de débito que tem abalado a zona do euro.

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O governo socialista, enquanto isso, condenou as críticas feitas pela Europa contra a administração fiscal da Grécia, acusando seus parceiros da União Europeia de adotarem duplos padrões e exercerem pouca liderança.

A greve geral de 24 horas provocou o cancelamento de vôos e a interrupção de serviços públicos, mas não chegou a paralisar a Grécia. Houve brigas ocorridas na esteira do protesto, com a polícia disparando gás lacrimogêneo para dispersar grupos de jovens que jogavam pedras.

"Sem sacrifício, os ricos devem pagar pela crise", entoavam os manifestantes durante a marcha que reuniu 20 mil pessoas diante do Parlamento e que, de modo geral, foi pacífica.

Em um sinal de que o nervosismo do mercado persiste, as taxas de empréstimo da Grécia subiram na quarta-feira depois que o ministro das Finanças tcheco, Eduard Janota, disse que Atenas consideraria impossível cortar o déficit orçamentário tão rápido como o prometido.

O vice-primeiro-ministro Theodoros Pangalos afirmou que Itália, França e Bélgica usaram as mesmas técnicas que a Grécia para mascarar seus déficits reais a fim de se qualificarem para a zona do euro.

"Apenas coloca-se certa quantia de dinheiro no ano seguinte...é o que todo mundo fez e a Grécia o fez numa extensão menor do que a Itália, por exemplo", disse Pangalos à rádio BBC World Service.

Ele afirmou que a Alemanha não estava numa boa situação para criticar Atenas, dado o comportamento do país durante a ocupação nazista da Grécia na Segunda Guerra Mundial, incluindo o saque das reservas de ouro do Banco Central.

Os sindicatos dos setores públicos e privados, que juntos representam metade da força de trabalho da Grécia de 5 milhões, quer que o governo descarte os planos de congelar o salário do funcionalismo, elevar as taxas e aumentar a idade para aposentadoria.

"Hoje, os olhos da Europa estão voltados para nós", disse Yannis Panagopoulos, líder do sindicato do setor privado GSEE.

"Pedimos ao governo para que não ceda aos desejos dos mercados, que faça das necessidades do povo uma prioridade e adote um mix de políticas econômicas e sociais que não levem à recessão, mas ao emprego", disse ele à multidão.

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