Grécia aceita socorro de 45 bilhões de euros de UE e FMI

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, pediu formalmente ajuda da União Europeia (UE) e FMI para tentar tirar sua economia de uma grave crise, um dia depois do anúncio de que o déficit público do ano passado - de 13,6% do PIB - é maior do que o anteriormente calculado e quase o dobro que o registrado no ano anterior. Em um anúncio feito pela TV grega, Papandreou disse ter pedido a ativação do mecanismo de ajuda, um pacote de emergência de 45 bilhões de euros negociado com as nações da zona do euro e o FMI.

BBC Brasil |

Também na quinta-feira, a agência de classificação de risco Moody's baixou a classificação da Grécia A2 para A3, o que significa "risco grande de que a dívida só será estabilizada com um gasto maior do que o previsto anteriormente".

A cotação do euro subiu 0,1% no fim da manhã desta sexta, já em reação ao anúncio do pedido da Grécia.

Pressão
Segundo a editora de economia da BBC Stephanie Flanders, durante a crise da Grécia os ministros das Finanças da zona do euro esperavam que a promessa de ajuda fosse o suficiente para acalmar os investidores.

Mas não foi o caso, afirma a correspondente, dizendo que a pressão agora aumentou para que sejam finalizados os detalhes do plano.

Segundo Flanders, entre as condições que o FMI deve ter imposto à Grécia, que já adotou várias medidas austeras para tentar recuperar sua economia, estão diretrizes sobre a condução da taxa de juros.

"Mesmo se a Grécia passar pela crise com este dinheiro, ainda vai doer", disse ela.

Navio naufragando
Durante o anúncio na TV, Papandreou comparou a Grécia a um navio naufragando. Ele disse que está claro que o país fracassou em atrair a confiança dos mercados, e por isso, fez-se necessário ativar o mecanismo.

Segundo ele, os mercados não responderam positivamente às medidas de austeridade anunciadas pelo governo em março passado, que incluíam cortes de gastos e aumento de impostos, para tentar reduzir o déficit.

"Nossos parceiros (FMI e UE) vão contribuir decisivamente para garantir à Grécia um porto seguro que vai nos permitir reconstruir nosso navio", disse o premiê.

Mas segundo analistas, mesmo que a decisão tenha sido esperada, ainda há incertezas pela frente.

Alguns analistas afirmam que o empréstimo deverá manter o país por pelo menos um ano, e que não é certo que a União Europeia renove o mecanismo.

Outra razão para preocupação é a crise de liquidez enfrentada por bancos gregos.

Além dos problemas com o déficit, o governo enfrenta resistência às medidas de austeridade anunciadas março passado.

Na quinta-feira, dezenas de milhares de servidores públicos gregos realizaram uma greve contra o programa de austeridade.

Os manifestantes fizeram protestos em Atenas, próximo ao local onde os representantes do FMI e do Banco Central Europeu discutem os últimos detalhes do pacote de ajuda.

A Grécia deve 300 bilhões de euros e precisa pedir emprestado cerca de 54 bilhões de euros só neste ano. O déficit público do país, de 12,7% do PIB, é mais de quatro vezes maior do que o permitido pelas regras impostas pelos países da zona do euro.

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