Gravação revela que policiais quiseram assassinar Correa

Promotoria investiga se houve tentativa de assassinato do presidente equatoriano em confrontos que levaram a estado de exceção

iG São Paulo |

Uma gravação da Rádio Patrulha da Polícia Nacional do Equador, divulgada nesta terça-feira pela agência equatoriana Andes, revela que houve agentes policiais que quiseram assassinar o presidente do país, Rafael Correa, durante a rebelião da última quinta-feira .

Segundo a agência pública, o áudio corresponde aos momentos prévios ao sequestro do líder, que foi mantido em reclusão por várias horas em um hospital policial ao que foi levado após machucar a perna.

Frases como: "Matem rápido esse maldito Correa", "Matem Correa para que isso se acabe" e "Matem Correa e o protesto acabará" são frases que podem ser ouvidas durante os seis minutos de gravação.

As frases se repetem várias vezes durante o áudio, além da intenção de responder caso os militares atirassem. Alguns policiais, por outro lado, não falam em assassinato, mas pedem a renúncia do presidente.

Na gravação, pode-se ouvir também os policiais advertindo seus companheiros sobre a presença de militares nos arredores do Hospital da Polícia onde Correa estava retido.

Os vídeos estão sendo usado em uma investigação, na qual a Procuradoria procura saber se houve tentativa de assassinato durante a rebelião.

Nesta terça-feira também, o presidente Rafael Correa decretou que o estado de exceção declarado devido à rebelião de policiais foi estendido até o dia 8 de outubro.

Salários

O governo de Correa também concordou em aumentar os soldos das Forças Armadas, o que representará um gasto adicional de até US$ 35 milhões (cerca de R$ 59 milhões) por ano, dias depois que soldados enfrentaram a polícia amotinada para resgatar o presidente Rafael Correa.

O aumento de soldo para capitães, majores e duas outras patentes já estava previsto e não afeta a supressão de bônus para policiais e militares. Foi a eliminação de bônus por promoções que desencadeou a violência da semana passada no país, que é membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e marcado pela instabilidade política.

As Forças Armadas reclamam há tempos que o ajuste de soldos efetuado alguns anos atrás não incluiu quatro patentes. Pelo acordo, esses postos receberão até US$ 570 (R$ 961) por mês de reajuste calculado retroativamente até este ano.

O ministro da Defesa, Javier Ponce, disse que foi coincidência os soldos terem sido definidos dois dias após o ataque a Correa. Segundo ele, o aumento resultará em um gasto de US$ 30 milhões (R$ 50,6 milhões) a US$ 35 milhões (R$ 59 milhões) por ano.

*Com EFE e Reuters

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