Grandes títulos, grandes livros

Patenteei a leitura rigorosa de um livro. O método leva meu nome.

BBC Brasil |

Foi adotado por diversas pessoas de alto nível escolástico e alguns estabelecimentos de ensino esclarecidos. Nada mais simples. Chega-se à livraria, toma-se do objeto em questão (um livro, ora bolas!), abre-se ao meio, leva-se ao nariz e, então, aspira-se profundamente. O olor dirá tudo. Trama (caso tenha) personagens, estilo e lugar na história literária.

Nunca me ocorreu o que agora descubro com imensa alegria, eu que abandonei os livros, por serem desinteressantes, em troca da alta definição na televisão e o Blue Ray nos DVDs. A literatura acabou, decreto do alto de minha poltrona do papai. Viva o livro!
O que há é que humildemente reconheço que um valor mais alto do que eu se levantou. Trata-se do método - melhor dizendo, um esquema - bolado pelo insigne editor britânico Bruce Robertson, que, há 30 anos, no decorrer de uma dessas chatíssimas feiras de livros, a saber, a de Frankfurt, cansado de percorrer barraquinha e ver bobagem empilhada em cima de bobagem, tolice enfileirada ao lado de tolice, deu com um título interessante, uma vez que, homem sofisticado que era e é, não tinha mais paciência para a bobajada que se vende mundo afora. Saibam que no Reino Unido são editados cerca de 200 mil títulos novos de livros por ano. Duro ser editor, duro ser editado, duro, muito mais duro, ser leitor.

Dizia eu que o bom Bruce Robertson esbarrou, assim como quem não quer nada, num título interessante. A saber: "100 anos de cozinha nos trens britânicos". Gostou. Procurou mais coisas no gênero. Achou. "Cozinhando com Deus" e "50 novos estilos de pentear seu poodle". No entanto, o verdadeiro estalo de Vieira - ou boom do Bruce - deu-se com o volume "Autos da segunda oficina internacional sobre camundongos nus". Palavras de honra. Minha e do Bruce Robertson. Confiram aí. Foi editado pela University of Tokyo Press. Nada se sabe se foi ou não realizada uma terceira ou quarta workshop (para ficar no título original) sobre os bichinhos pelados. Nem porque deixaram de registrar o que se passou durante a primeira workshop. O importante é que nasceu aí, nessa tristeza da feira de Frankfurt, o Prêmio Diagram. Muito mais importante, no entender de muita gente boa, feito eu, Bruce e um rapaz que vocês não conhecem, do que os prêmios Pulitzer, Nobel, Juca Pato, Jabuti ou Camões. O vencedor leva para casa uma garrafa de vinho tinto razoável. Eu disse "razoável". Os conhecedores de títulos de livros são eméritos apreciadores daquilo que não atinge, ou sequer almeja, os pináculos da glória.

Não tenho mais nada a acrescentar. A não ser, claro, enfileirar, os títulos dos livros que mais me despertaram a atenção. Que fique claro: os livros, concorrentes apenas, ou vencedores, não devem, em hipótese alguma, serem lidos. O importante é o título. Só.

Segue uma modesta amostra. Joões Ubaldos e Paulos Coelhos, roam-se de inveja.

Espero que nossos editores, que não primam pelo brilho em suas escolhas profissionais, aprendam alguma coisa com a lista acima e o emérito objetivo do Prêmio Diagram.

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