Grandes potências pedem que Teerã discuta questão nuclear

Autoridades das grandes potências que procuram impedir o Irã de produzir a arma nuclear renovaram nesta quarta-feira o seu apelo a Teerã para que aceite as negociações diretas relacionadas ao assunto, segundo um diplomata alemão.

AFP |

Uma reunião a portas fechadas nas imediações de Frankfurt (oeste) foi realizada por dirigentes políticos dos ministérios das Relações Exteriores dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU -- Estados Unidos, Rússia, China, França, Grã-Bretanha -- assim como da Alemanha e da União Europeia, no momento em que os países ocidentais ameaçam recorrer a novas sanções contra o Irã.

O grupo "renovou seu convite para que o Irã participe de negociações diretas com base no respeito mútuo", segundo o diplomata que solicitou o anonimato.

Os representantes das grandes potências voltarão a se reunir no final de setembro durante a reunião anual da Assembleia Geral da ONU em Nova York, acrescentou.

Na terça-feira, o principal negociador do dossiê nuclear iraniano, Said Jalili, anunciou que Teerã vai apresentar propostas para as negociações com as grandes potências.

"Com força, utilizando suas capacidades nacionais e regionais, a República Islâmica do Irã está preparada para cooperar para acabar com as preocupações comuns internacionais", segundo Jalili.

Nem Alemanha, nem Estados Unidos, nem União Europeia tinham recebido nesta quarta-feira de manhã novas propostas, segundo seus representantes.

O presidente francês Nicolas Sarkozy e a chanceler Angela Merkel criticaram fortemente o Irã na segunda-feira, após um encontro em Berlim, advertindo que Teerã devia levar a sério as ameaças de sanções reforçadas caso se recuse a negociar.

Os chefes de Estado e de governo das grandes potências poderão discutir possíveis sanções durante a cúpula do G-20 em Pittsburgh (Estados Unidos) nos dias 24 e 25 de setembro, de acordo com autoridades diplomáticas.

Após as primeiras sanções em 2005, 2006 e 2007, a comunidade internacional discute medidas que terão como alvo o setor energético iraniano, segundo Merkel.

De acordo com o jornal americano New York Times, os Estados Unidos querem proibir as vendas de combustíveis para o Irã.

Embora seja um grande exportador de petróleo bruto, o Irã não dispõe de capacidades de refino suficientes e depende em 40% das importações de combustíveis.

Nesta quarta-feira, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em entrevista à AFP, o esgotamento de todas as opções diplomáticas disponíveis para convencer o Irã a desistir de seu programa nuclear, oferecendo-se para discutir o tema durante a visita a Brasília do presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, que pode acontecer ainda este mês.

"Antes de aprovar mais sanções, deveríamos esgotar todas as opções diplomáticas. Temos de convencê-los pelo diálogo, sem colocá-los contra a parede", declarou Lula.

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