Grandes nações européias buscam aliança para conter crise

Paris, 3 out (EFE).- O presidente francês, Nicolas Sarkozy, se reunirá amanhã em Paris com líderes de Alemanha, Itália e Reino Unido na busca de uma posição comum para enfrentar a crise financeira, que não contempla a possibilidade de um fundo europeu para salvar, se necessário, o setor financeiro.

EFE |

O primeiro-ministro francês, François Fillon, que também participará deste encontro dos quatro países europeus do Grupo dos Oito (G8, as sete nações mais ricas do mundo e a Rússia) antecipou hoje que Sarkozy lembrará "que a única saída" para a crise "é coletiva".

Fillon ressaltou que o encontro servirá para tentar evitar que um sistema que se mostrou "irresponsável" caia no abismo e, para isso, Paris proporá que a União Européia (UE) "dê segurança a seus sistemas bancários, descongele o crédito e coordene sua estratégia econômica e monetária".

Além de Sarkozy, Angela Merkel, Silvio Berlusconi e Gordon Brown, também estarão na reunião de Paris os presidentes da Comissão Européia (CE, órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, o do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, e o do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker.

O secretário de Estado de Assuntos Europeus francês, Jean-Pierre Jouyet, explicou que todos europeus têm que estar "de acordo para intervir quando e onde" for necessário "para evitar qualquer risco, seguindo modalidades que podem ser diferentes de um Estado para o outro".

Dessa forma, depois da dura oposição alemã, se reconhece a renúncia à idéia de um fundo europeu para salvar o sistema bancário, assim como o aprovado nos Estados Unidos.

A chanceler alemã foi uma das primeiras a reagir à iniciativa da França de criar um fundo comum que poderia chegar a 300 bilhões de euros, ao descartar de forma taxativa "assinar um cheque em branco a todos os bancos, tenham eles atuado de forma responsável ou não".

Merkel afirmou que prefere uma ação adaptada para cada caso e tratada por cada país, uma idéia que compartilha com o primeiro-ministro do Reino Unido, que, no entanto, não vê com maus olhos algum tipo de coordenação a nível europeu frente à crise.

Na posição de Londres sem dúvida pode ter pesado a decisão das autoridades irlandesas de oferecer garantias a todos os depósitos em seis bancos do país, com o evidente risco de transferência de fundos de outras entidades e, em primeiro lugar, das britânicas.

Já Berlusconi, na linha mais protecionista de seu atual Governo, anunciou que quando seu país presidir o G8 no ano que vem, ele pretende estabelecer "uma lista de regras que criem um clima jurídico mais rigoroso e moral" no sistema financeiro internacional.

Sarkozy também quer aproveitar a crise financeira nos Estados Unidos, cujo sistema liberal permitiu altos riscos ao mercado creditício, para impor um novo modelo de regulação internacional.

Isso incluiria limitações estritas às vendas a descoberto de valores financeiros, novas normas contábeis, regras de controle para o trabalho das agências de qualificação e limitar a remuneração dos diretores de empresas.

A médio prazo, a França quer vencer as atuais resistências na UE a um sistema de supervisão único de qualquer banco nos países do bloco europeu.

Para tratar de acalmar o descontentamento de países europeus que ficaram à margem da cúpula de amanhã, Jouyet se esforçou em precisar que o objetivo imediato é "preparar as respostas européias para a reunião de ministros de Finanças" dos países mais industrializados que será realizada na próxima semana em Washington.

Barroso, que hoje manteve um encontro com os representantes do setor bancário europeu, afirmou que na atual situação, "além de injeções de liquidez, é preciso injetar credibilidade na economia européia" com ações coordenadas na UE.

Trichet também reafirmou hoje sua preocupação com as perspectivas da economia da zona do euro, que, segundo ele, tem "um crescimento arrefecido com grandes riscos" de se tornar "ainda mais frágil". EFE ac/ab/rr

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