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Grandes mobilizações de Governo e campo refletem divisão na Argentina

Buenos Aires, 15 jul (EFE).- O Governo argentino e as patronais agrárias fizeram hoje uma demonstração de força em grandes mobilizações paralelas em Buenos Aires, transformadas em um reflexo da grave divisão que o país sofre desde que explodiu o conflito há mais de quatro meses.

EFE |

Longe de se aproximarem, o oficialismo e os líderes das entidades agrárias endureceram suas críticas e se reafirmaram em suas posições, às vésperas do debate no Senado do polêmico decreto de elevação dos impostos à exportação de grãos que foi o estopim da crise.

Os partidários do Governo lotaram a praça do Congresso para escutar o ex-presidente Néstor Kirchner, líder do Partido Justicialista (peronista) e, segundo analistas locais, a pessoa que concentra o poder na Argentina.

Perante mais de 300 mil pessoas, segundo os organizadores, número que foi reduzido a umas 95 mil por fontes extra-oficiais citadas pela imprensa local, Kichner novamente atacou os produtores agrários, acusados por ele de apoiar a ditadura militar e tentar desestabilizar sua esposa, a presidente Cristina Fernández de Kichner.

"Quiseram destituir o Governo e desestabilizar a pátria", defendeu o ex-governante que reiterou que o Governo acatará a decisão do Parlamento - "seja qual for" - sobre o polêmico projeto tributário.

Dirigentes sindicais, governadores, ministros e altos funcionários do Governo receberam Kirchner durante seu discurso, seu último trunfo antes do debate do decreto.

Pouco depois, e a apenas alguns quilômetros ao norte do Congresso, cerca de 225 mil pessoas, segundo fontes extra-oficiais, se concentraram no bairro de Palermo para expressar sua rejeição à política dos Kirchner e acompanhar os produtores agropecuários.

Um a um, os principais líderes das organizações agrárias, acompanhados de dirigentes da oposição e de reconhecidos peronistas críticos ao Governo, denunciaram a estratégia do Executivo, rejeitaram as acusações de Kirchner e pediram aos senadores que votassem contra a reforma tributária.

"É tão frágil uma presidente para que uma resolução volte?", se perguntou o titular da Federação Agrária da província de Entre Ríos, Alfredo de Angeli, transformado em um símbolo do chamado "setor duro" do protesto rural.

"O ex-presidente quer conduzir o barco da sala de máquinas e vai a bater o barco que é o país, e não o permitiremos", insistiu Angeli.

"Não viemos aqui para pressionar ninguém. Não queremos condicionar a vontade de nenhum legislador. Simplesmente solicitamos aos senadores que votem com consciência. Um conflito desta magnitude não pode ser desmanchado pelas estreitas fidelidades partidárias", disse o presidente da Sociedade Rural, Luciano Miguens.

O presidente das Confederações Rurais Argentinas, Mario Llambías, apontou que "há senadores que vão jogar pelo país, outros que estão duvidando, e que por um mal chamado de disciplina partidária jogam contra os interesses do povo, mas o pior é que há legisladores que estão sendo pressionados pelo Governo para que mudem seu voto".

"Aos que estão indecisos, lhes digo que aqui está o povo apoiando vocês e pedindo-lhes que votem por nós", disse Angeli.

Os dois lados concordaram que a luta rural não será concluída amanhã, independentemente do resultado da votação no Senado, e reivindicaram um plano agropecuário nacional.

"Isto vai continuar. Se ganharmos ou perdermos amanhã, esta medida (das retenções) não poderá continuar", concluiu o presidente da Federação Agrária Argentina, Eduardo Buzzi.

O conflito do campo se transformou na mais grave crise enfrentada por Cristina Fernández em seus seis meses de mandato.

As greves comerciais agrárias e os bloqueios de estradas convocados pelas patronais agropecuárias durante os 126 dias de conflito, presumiram perdas milionárias para o país, pioraram a divisão interna e precipitaram uma queda em da imagem da presidente.EFE mar/bm/plc

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