Grandes economias tentam superar impasse por acordo para o clima no G8

Um grupo de 17 países se reúne nesta quinta-feira em Áquila, na Itália, onde acontece a reunião de cúpula anual do G8, para tentar superar os impasses e chegar a um acordo sobre cortes de emissões de gases para controlar o aquecimento global. Mas posições divergentes entre os países desenvolvidos, que formam o G8 (Alemanha, Itália, Estados Unidos, França, Japão, Canadá, Grã-Bretanha e Rússia), e os países em desenvolvimento, que compõem o G5 (Brasil, China, Índia, África do Sul e México), permanecem como um entrave a um possível acordo.

BBC Brasil |

A reunião desta quinta-feira faz parte do Fórum das Grandes Economias sobre a Energia e o Clima, convocado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e que já teve uma primeira reunião em abril, em Washington.

O objetivo desse fórum é conseguir um consenso entre os 17 maiores emissores de gases do efeito estufa para facilitar um acordo global para o chamado Tratado pós-Kyoto, que será discutido em uma conferência em Copenhague, na Dinamarca, em dezembro.

Compromisso
O Tratado de Kyoto, firmado em 1997 e que vence em 2012, estabelecia metas para corte de emissões entre os países desenvolvidos, mas poupava os países em desenvolvimento, o que reduzia sua eficácia. Além disso, com a retirada dos Estados Unidos, maior emissor histórico de poluentes, seu alcance ficou limitado.

Com o novo tratado, a comunidade internacional espera conseguir um comprometimento de todos os países para limitar as emissões de modo a evitar um aumento médio das temperaturas globais acima de 2ºC em relação à era pré-industrial, ponto crítico após o qual se considera que as consequências do aquecimento global se tornariam irreversíveis.

Os 17 membros do Fórum das Grandes Economias, que além dos países do G8 e do G5 inclui Austrália, Coreia do Sul, Indonésia e Dinamarca, parecem concordar com a necessidade de evitar esse aumento de 2ºC na temperatura da Terra, mas a divergência aparece em relação à maneira de conseguir essa limitação.

Na quarta-feira, os países do G8 se propuseram a fazer um corte de 80% em suas emissões até 2050, desde que o restante do mundo se comprometa a um corte de 50% nesse mesmo período.

A proposta do G8, porém, é criticada por não estabelecer metas intermediárias e por não detalhar como serão esses cortes nem como eles serão financiados.

Além disso, em uma reunião paralela do G5, o grupo dos países emergentes pediu que as nações ricas façam mais para controlar o aquecimento global e que estabeleçam um mecanismo de compensação financeira por eventuais cortes de emissões realizados pelos países mais pobres.

O argumento dos países em desenvolvimento é que o problema do aquecimento global foi causado historicamente pelas emissões dos países ricos em seu processo de desenvolvimento e que agora as nações mais pobres não podem pagar a conta com medidas que limitem seu próprio desenvolvimento.

China
Apesar do otimismo expressado por alguns líderes do G8 em relação a um possível acordo nesta quinta-feira no Fórum das Grandes Economias, as divergências ficaram claras após as declarações do anfitrião da cúpula, o premiê italiano Silvio Berlusconi, sobre as reservas de países como a China e a Índia em relação à proposta dos países ricos.

"Há um acordo (sobre cortes de emissões entre os países do G8), mas a China ainda está cética. Temos que ver amanhã com a Índia e com a China qual o nível de acordo que podemos alcançar", disse Berlusconi.

A ausência do presidente chinês, Hu Jintao, que deixou a Itália para retornar à China por causa dos episódios de violência em Xinjiang, é apontada como mais um complicador para a obtenção de um acordo na reunião desta quinta-feira.

A posição da China é considerada essencial para o sucesso de um acordo, já que o país superou recentemente os Estados Unidos como o maior emissor mundial de gases do efeito estufa.

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