César Muñoz Acebes. Washington, 10 nov (EFE).- Os grandes bancos internacionais esperam poucos resultados práticos da cúpula do G20 - que reúne países emergentes e desenvolvidos - e se contentariam com uma promessa de que os Governos reunidos coordenarão sua política econômica, segundo disse hoje a principal associação do setor.

Charles Dallara, diretor-gerente do Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês), disse que geralmente se demora um ano preparando esse tipo de reunião, enquanto essa cúpula foi montada em questão de semanas.

Para ele, por essa razão, "é preciso ser realista" sobre seus possíveis resultados.

O que o grupo que representa os 390 maiores bancos do mundo espera é "uma mensagem clara de seu compromisso de coordenar sua política econômica, financeira e monetária com o objetivo de seguir estabilizando o entorno financeiro atual", segundo disse Dallara em coletiva de imprensa.

O instituto quer uma política monetária "flexível" e apoio fiscal para a recuperação econômica. Neste sentido, louvou o anúncio por parte da China de um plano de estímulo no valor de US$ 586 bilhões.

O grupo enviou hoje uma carta ao presidente dos EUA, George W.

Bush, com suas recomendações para o processo de reforma financeira que será iniciado com a cúpula do G20, que acontecerá a partir de sexta em Washington.

Dallara atribuiu grande parte da culpa pela acumulação de "desequilíbrios" nos últimos anos à incapacidade do Fundo Monetário Internacional (FMI) de fomentar a colaboração entre os principais países do mundo.

Segundo ele, também não foi feito um G-7 "anacrônico", que ao não incluir países emergentes não representa o panorama econômico mundial, reunindo apenas as nações mais ricas.

Apesar do IIF ter jogado a culpa nos problemas de coordenação pública, o motivo central da crise foi a tomada de riscos excessivos por parte do setor financeiro privado, segundo os analistas.

O instituto tradicionalmente sempre defendeu a capacidade dos bancos de se auto-regular em muitas áreas, por isso que a eclosão da crise o colocou em uma posição difícil.

"Enquanto sempre promovemos soluções proporcionadas pelo mercado, neste momento aceitamos a intervenção do Governo", reconheceu na coletiva de imprensa o economista-chefe da entidade, Yusuke Horiguchi.

Em todo caso, o IIF pediu na carta que os Governos tirem a mão do mercado "tão em breve como as circunstâncias permitam".

Por enquanto, as notícias vão em sentido contrário. Hoje as autoridades americanas elevaram para US$ 150 bilhões seu investimento na seguradora AIG, em mais uma de muitas ações para injetar capital nas instituições financeiras.

Dallara disse que os que falam de uma presença permanente dos Governos no sistema bancário entoam "um canto de sereia", tão enganoso como o que ouviu Ulises de Homero, pois, para ele, o controle público da economia tem maus resultados.

O diretor-gerente do IIF reconheceu que é necessário um endurecimento das normas e da supervisão em certas áreas, especialmente as operações de investimento dos bancos, de modo que obrigue as instituições a manter mais reservas de capital.

No entanto, o grupo deseja evitar que o pêndulo da regulação se movimente em direção a um controle excessivo das operações de mercado.

"Não queremos que se elimine a capacidade dos mercados de capitais de lotar e redistribuir o risco só porque em algumas categorias de produtos estruturados houve uma gestão muito má", disse Dallara.

A referência de Dallara é aos títulos complexos nos quais se combinaram e recombinarão hipotecas americanas de maneira pouco transparente e que voaram pelos ares quando a inadimplência atingiu o país em grande escala.

Na carta, o IIF pediu também ao FMI que redefina sua missão e que, em vez de se concentrar exclusivamente em ajudar países com problemas na balança de créditos, promova a estabilidade financeira internacional.

O grupo bancário alertou que a escala potencial dos problemas poderia tornar insuficientes os recursos da entidade multilateral, que atualmente tem acesso a cerca de US$ 250 bilhões.

Por isso, ele considera que o FMI deveria pedir fundos adicionais a países com grandes reservas, como Japão, China e os exportadores de petróleo.

Ontem, o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, solicitou em carta ao G20 que manifestasse seu compromisso de injetar mais dinheiro na instituição caso necessário. EFE cma/rr

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