Grandes aiatolás se opõem a designar mulheres ministras no Irã

Teerã, 22 ago (EFE).- Alguns dos aiatolás xiitas mais importantes do Irã estão insatisfeitos com a decisão do presidente do país, Mahmoud Ahmadinejad, de incluir três mulheres em seu próximo gabinete e querem que o chefe de Estado rejeite sua decisão.

EFE |

Quem diz isso é o destacado deputado iraniano Mohamad Taqi Rahbar em declarações divulgadas neste sábado pelo jornal conservador "Tehran Emrouz". Segundo o legislador, os grandes clérigos possuem dúvidas do ponto de vista da jurisprudência islâmica.

"Muitos marya-e taqlid (máxima categoria na hierarquia religiosa xiita), como os aiatolá Safi Golpajegani e Makarem-Shirazi duvidam e querem que Ahmadinejad reconsidere a decisão", afirmou o deputado, presidente do grupo de clérigos no Parlamento.

Para Rahbar, embora escolher mulheres seja sem dúvida uma ideia inovadora de Ahmadinejad, existem incertezas sobre sua capacidade e habilidade de gestão.

Os marya-e taqlid não se pronunciaram de forma oficial sobre o assunto, admitiu o deputado. Entretanto, caso o façam e o líder supremo da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, mantenha silêncio, os deputados levarão em consideração a palavra dos grandes clérigos, advertiu.

Na quarta-feira, Ahmadinejad propôs à Assembleia um polêmico gabinete composto por 21 pessoas, entre as quais se destacam, pela primeira vez na história da República Islâmica, três mulheres na categoria de ministras.

Desde então, cresceram as críticas em relação à escolha de Fateme Ajorlu para o Ministério de Bem-estar Social, da ginecologista Marzie Vahid Dastjerdi para o Ministério da Saúde e de Susan Keshvard para a pasta de Educação.

Caso consigam o voto de confiança do Legislativo, elas se transformariam nas primeiras ministras em um Governo do Irã nos últimos 30 anos.

No Governo passado, os grandes clérigos já se opuseram a uma iniciativa de Ahmadinejad, que quis suspender a proibição da presença de mulheres em jogos de futebol sem consultá-los. EFE jm/bba

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