Grande destruição no Caribe marca fim de temporada de furacões

Emilio J. López.

EFE |

Miami, 28 nov (EFE).- A temporada de furacões no Atlântico, que termina no próximo domingo, não poupou neste ano o Caribe, especialmente o Haiti, onde ciclones deixaram pelo menos 800 mortos e 800 mil desabrigados.

Se no já pobre Haiti os furacões e as tempestades registradas durante os meses de agosto e setembro deixaram grande destruição, em Cuba os ciclones "Gustav", "Ike" e "Paloma" causaram sete mordes e perdas calculadas em US$ 10 bilhões.

"A zona do Caribe foi a mais severamente afetada pelas tempestades e os furacões desta temporada, especialmente Ilha Hispaniola, Cuba e Jamaica", disse à Agência Efe Jack Beven, meteorologista do Centro Nacional de Furacões (NHC) dos Estados Unidos.

Beven afirmou que os prognósticos dos meteorologistas do NHC, que vaticinaram sobre uma "atividade bastante acima da média" para este ano na bacia atlântica, se completaram com a formação de 16 tempestades tropicais e oito furacões, quatro deles de categoria elevada.

Os meteorologistas da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA) dos EUA previram que esta temporada, que começou em 1 de junho e termina em 30 de novembro, seria muito ativa, com a possível formação de 14 a 18 tempestades tropicais, das quais entre sete e dez poderiam chegar se tornar furacões.

"Foi uma das temporadas de furacões mais ativas na bacia atlântica", disse o meteorologista.

Segundo ele, as características dessa temporada foram a intensidade e amplitude, que alcançou variadas e diferentes zonas geográficas do Atlântico, do Caribe e do Golfo do México.

De fato, os grandes aguaceiros gerados por "Arthur", a primeira tempestade da temporada, que se formou em 31 de maio no Caribe perto de México e Belize, causou cinco mortos e US$ 78 milhões em prejuízos.

Segundo o NHC, julho se tornou o "terceiro mês mais ativo que se tem registro", atrás só dos mesmos períodos de 2005 e 1916, com a formação de três tempestades tropicais, duas das quais, "Bertha" e "Dolly", viraram furacões.

O furacão "Bertha", que chegou a alcançar categoria três na escala de intensidade de Saffir-Simpson, que vai até cinco, só causou danos menores, mas entrará para a história da meteorologia como o mais longo no mês de julho, já que o fenômeno se manteve ativo por 17 dias.

Já "Dolly", cujo olho chegou ao continente no sul do estado do Texas, nos EUA, com ventos máximos sustentados de 160 km/h (categoria dois), afetou também o México, onde deixou dois mortos e cerca de 100 mil desabrigados.

Em agosto, se formaram quatro tempestades tropicais, "Edouard", "Fay", "Gustav" e "Hanna". Delas, "Gustav" se tornou o furacão mais intenso, e deixou, junto com "Hanna", um rastro de morte e destruição em sua passagem pelo Caribe.

"Gustav" atingiu Cuba no princípio de setembro como um furacão de categoria quatro, com ventos máximos sustentados de 220 km/h e, embora não tenha causado mortes, apenas feridos, provocou grandes perdas em infra-estrutura, agricultura e imóveis.

Sorte menor tiveram Haiti, República Dominicana e Jamaica, onde as intensas chuvas causadas por "Gustav" mataram mais de 100 pessoas, das quais pelo menos 75 em território haitiano.

Após sua passagem pelo Caribe, "Gustav" chegou ao sul da Louisiana como furacão de categoria dois, em coincidência com o terceiro aniversário do devastador "Katrina", embora os danos tenham sido menores do que era esperado.

A ziguezagueante tempestade "Fay", que atingiu a Flórida três vezes em agosto, causou a morte de cinco pessoas, como conseqüência das torrenciais chuvas que gerou em seu deslocamento pelo estado americano.

Outra nota trágica foi imposta em setembro pela tempestade tropical "Hanna", cujo cômputo provisório de destruição no Haiti se elevou a 175 mortos, centenas de desaparecidos e milhares de casas danificadas.

Segundo o Governo haitiano, o número de mortos por causa dos furacões e tempestades registrados em agosto e setembro se eleva a 793, enquanto o de desaparecidos chega a 310, com um total de 800 mil desabrigados.

Os deslizamentos de terra e lama e as inundações causadas no Haiti pela passagem da tempestade "Hanna" e, posteriormente, do ciclone "Ike", custaram, só na cidade de Gonaives, a vida de 466 pessoas.

Cuba foi também a grande castigada. As presenças dos furacões "Gustav" e "Ike" varreram a ilha, deixando sete mortos.

O poderoso furacão "Ike" chegou a alcançar a categoria quatro na escala de intensidade de Saffir-Simpson, com ventos máximos sustentados de 233 km/h.

Em novembro chegou ao sul da ilha o ciclone "Paloma", que atingiu suas costas como um furacão de categoria três.

Os danos pela devastação causada em Cuba se aproximam de US$ 10 bilhões em perdas, meio milhão de casas afetadas e destruídas e centenas de milhares de hectares de cultivo arrasados, segundo os balanços oficiais. EFE emi/rr

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