Grande ataque aéreo abre ofensiva contra insurgência no Paquistão

Igor G. Barbero.

EFE |

Islamabad, 24 jun (EFE).- O maior ataque aéreo dos Estados Unidos no ano deixou dezenas de mortos no reduto insurgente do Waziristão do Sul, onde o Exército paquistanês segue hoje preparando uma grande operação, já anunciada, contra Baitulá Mehsud, líder talibã.

Uma fonte oficial assegurou ao canal "Geo TV" que 65 pessoas morreram no ataque, enquanto outras emissoras situaram o número de vítimas em 80, embora sem citar suas fontes.

No entanto, o porta-voz do Exército paquistanês, Athar Abbas, disse à Agência Efe que apenas 35 pessoas morreram no impacto ontem de dois mísseis americanos na área de Ladha, ao término de um funeral de um líder talibã que tinha morrido horas antes em um ataque de outro avião espião.

"É uma ação independente dos EUA. Não faz parte de nossa estratégia militar", reiterou Abbas, embora vários analistas e fontes da inteligência ocidental consultados pela Efe tenham observado que "a cooperação" entre ambas as partes "melhorou muito" por seu objetivo comum de derrotar Mehsud.

O comando militar paquistanês não tinha oferecido até hoje números de mortos nesse tipo de ataques, já que são rechaçados em público pelas autoridades do país.

No entanto, os ataques de aviões não tripulados dos EUA nas regiões tribais fronteiriças com o Afeganistão contam com o consentimento e o fornecimento de informação do Paquistão, segundo admitiram à Efe fontes da inteligência de ambos os países.

O objetivo do ataque era um grande grupo porque um dos que estavam sendo enterrados era Khwaz Ali, um destacado líder insurgente e ajudante próximo de Mehsud, de acordo com o jornal "The News".

"Os mísseis foram lançados quando os presentes no funeral estavam se dispersando. Entre os mortos há muitos insurgentes, mas não temos confirmação da morte de algum alvo importante", detalhou Abbas, que admitiu que os reunidos eram homens do grupo de Mehsud.

Apesar da dimensão do ataque, o porta-voz militar insistiu que o Exército ainda está na fase preparatória da grande operação contra o líder talibã e sua rede insurgente no Waziristão e evitou entrar em detalhe sobre as ações realizadas recentemente pelas forças de segurança.

No Waziristão do Sul, o Exército paquistanês bombardeia há mais de uma semana esconderijos dos fundamentalistas, enviou tropas e lançou ofensivas para recuperar o controle de estradas importantes antes de começar o grosso da operação, anunciada pelas autoridades há dez dias.

"Estão abrindo brechas, suavizando o território à base de bombardeios", contou à Efe uma fonte da inteligência ocidental, que frisou que é possível que os ataques com tropas da infantaria não comecem até que termine a ofensiva no vale de Swat e outros distritos adjacentes, que começou no final de abril.

"Vai ser uma operação muito mais complicada que a de Swat. De longa duração", admitiu à Efe uma fonte dos principais secretos serviços paquistaneses (ISI).

O analista Humayun Khan, do paquistanês Instituto de Estudos Estratégicos, destacou que o Exército desenhou uma estratégia para o Waziristão que passa por colaborar estreitamente com os EUA, criar divisões internas na tribo de Mehsud e recorrer a bombardeios aéreos e artilharia pesada para "varrer o território".

Baitulá Mehsud dispõe de uma milícia de cerca 12 mil homens armados, segundo alguns analistas, e lidera o movimento Tehrik-e-Talibã Paquistão (TTP), uma coalizão formada no final de 2007 que reúne diferentes grupos talibãs paquistaneses e que reivindicou a maioria dos atentados terroristas recentes no país.

Segundo a fonte de inteligência ocidental, acabar com o TTP é "chave" para o sucesso da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão, cujo comando "é consciente de que caso não se resolva o problema das áreas tribais paquistaneses a guerra pode ser perdida".

"O Paquistão dessa vez parece sério e Mehsud cairá, mas vai oferecer muita resistência", previu a fonte, que lembrou que um homem de Mehsud infiltrado em uma facção tribal dissidente matou ontem o fundamentalista Qari Zainuddín, adversário do líder dos talibãs. EFE igb/rr

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