Por Paul Majendie e Raissa Kasolowsky LONDRES (Reuters) - Mais de 100 mil servidores públicos -- de professores a guardas-costeiros -- entraram em greve na quinta-feira na Grã-Bretanha, em protesto contra o governo trabalhista, na maior onda de paralisações dos últimos dez anos.

Foi mais um golpe para o primeiro-ministro Gordon Brown, que na véspera já fora forçado por correligionários descontentes a um humilhante cancelamento nas suas políticas de cortes tributários. Na semana que vem, Brown enfrenta seu primeiro teste nas urnas, nas eleições municipais.

A greve de um dia por melhores salários incluiu também instrutores de trânsito e funcionários da Previdência e dos centros de apoio ao trabalhador. Os sindicatos estimam que a adesão foi de 100.000 a 400.000 servidores.

Na Escócia, os funcionários da refinaria de petróleo Grangemouth também decidiram entrar em greve por causa de uma disputa previdenciária, o que pode acarretar problemas na distribuição de combustíveis.

O secretário de Negócios, John Hutton, disse que não há necessidade de o governo assumir poderes de emergência e que os estoques e a importação de combustíveis bastam para suprir a demanda.

No centro de Londres, milhares de professores fizeram uma passeata carregando cartazes. A opinião pública se divide quanto à greve, e pais de alunos estão especialmente descontentes.

Esta é a primeira greve nacional da educação em 20 anos, com a participação de dezenas de milhares de professores e milhares de conferencistas universitários. Eles dizem que seus aumentos salariais não acompanham a inflação.

'Ensinamos os futuros líderes, enfermeiros, professores -- vocês não podem se virar sem nós', disse a professora Janet Arthur à Reuters durante uma manifestação em Londres. 'É um círculo vicioso, e a pobreza vai se estabelecer. Queremos ter família também.'

Alex Kenny, porta-voz do sindicato, disse que 'a greve de hoje não será o fim disso'.

Brown, que foi ministro das Finanças por 10 anos e recebeu o cargo de Tony Blair em junho, vê sua popularidade despencar após uma série de crises. Ele luta para manter a economia aprumada e tenta conter os gastos públicos.

'É lamentável para os alunos, é lamentável para os pais', disse ele sobre a greve de professores. 'Este é um governo [do Partido Trabalhista] que ao longo de mais de dez anos dobrou o gasto com educação.'

O governo fez na quarta-feira concessões a parlamentares trabalhistas contrários à reforma fiscal e prometeu medidas para compensar as pessoas afetadas pela abolição da alíquota mais baixa do imposto de renda.

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