Grã-Bretanha revoga cidadania de espiã "femme fatale"

Anna Chapman, que virou notícia em todo o mundo, foi casada com um britânico e morou na Grã-Bretanha

iG São Paulo |

AP
Imagem postada na rede social russa "Odnoklassniki" (ou "Colegas de classe") mostra mulher identificada como Anna Chapman, que seria um dos supostos agentes russos
O governo da Grã-Bretanha revogou a cidadania britânica da suposta espiã russa Anna Chapman , que está entre o grupo de supostos agentes secretos entregues à Rússia pelos EUA , informou nesta terça-feira a "BBC". A atraente mulher, apresentada como uma "femme fatale" por causa de seus cabelos ruivos e olhos verdes, virou notícia em jornais em todo o mundo por causa do caso de espionagem.

De acordo com a emissora, a anulação do passaporte de Chapman, que tem nacionalidade russa e britânica por ter sido casada com um inglês, será formalizada "nas próximas horas", o que significa que ela já não poderá entrar no país.

Anna foi transferida a Moscou na sexta-feira como parte de uma troca de espiões. Em troca, os EUA receberam quatro agentes de seu interesse, dois dos quais estão atualmente na Grã- Bretanha. Dos quatro entregues aos EUA, três haviam sido condenados por espionagem em favor dos ocidentais.

O advogado americano da jovem de 28 anos tinha afirmado que ela desejava retornar à Grã-Bretanha, onde viveu durante quatro anos enquanto esteve casada com Alex Chapman , de 30 anos, de quem adotou o sobrenome.

Em 9 de julho, o Ministério do Interior informou que estava " considerando com urgência " se anulava ou não a cidadania britânica da suposta espiã russa.

Em um breve comunicado, o Ministério do Interior assinalou que "a ministra do Interior tem o direito de retirar a nacionalidade britânica das pessoas com dupla nacionalidade se avaliar que fazê-lo representaria um bem comum".

Segundo a imprensa britânica, Anna se mudou para Londres em 2002, quando se casou com Alex Chapman, após um romance de cinco meses, e teve vários empregos, entre eles um no banco Barclays. Depois criou sua própria agência imobiliária pela internet e retornou à Rússia em 2006, após o fracasso de seu casamento.

Um ano depois ela teria mudado para os EUA, onde também montou uma agência de venda de propriedades pela rede.

Detector de mentiras

Os nove agentes russos e uma peruana que foram enviados a Moscou na histórica troca de espiões encontram-se retidos num recinto especial dos serviços secretos russos, onde são submetidos a uma investigação que inclui a utilização de detectores de mentiras, informou nesta terça-feira a imprensa russa.

"Do aeroporto (onde aterrissaram na sexta-feira) foram levados diretamente para Lassenevo (região de Moscou), onde se encontra o quartel-general do SVR" (o Serviço de Inteligência Externa ), segundo o jornal Moskovskii Komsomolets, citando uma fonte do serviço especial. "No momento, os agentes trabalham com especialistas. Estão tentando esclarecer a forma em que ocorreram os fatos", assinalou essa fonte, indicando que o objetivo é estabelecer as causas que levaram à desarticulação da rede de agentes que atuou durante dez anos nos EUA.

"A fim de esclarecer todos os detalhes, serão realizadas conversas, diversos testes, que incluem o emprego de detectores de mentiras. Mas esse trabalho não pode ser chamado de interrogatório", disse.

Uma das linhas da investigação se refere à possibilidade de a queda da rede de agentes ter sido conseqüência de uma traição. "São investigados funcionários do SVR em serviço e alguns que trabalharam nele há dez anos", assegurou a fonte.

A busca de um traidor é um trabalho árduo, pois dezenas de altos funcionários do SVR, muitos deles já aposentados, tinham acesso a informações sobre os agentes.

Os dez funcionários, que chegaram à Rússia na sexta-feira passada, após a maior troca de espiões entre Moscou e Washington desde o fim da Guerra Fria (quatro americanos foram libertados em compensação), estão em hotéis do SVR, em territórios fechados, "onde os telefones celulares não funcionam".

"A princípio, podem ser visitados por seus familiares, mas eles não têm direito de abandonar o território", ressaltou o jornal, que destaca que a "concentração" dos agentes, todo eles membros do SVR, pode durar algumas semanas.

Segundo o jornal, as dez pessoas serão colocadas em liberdade nas próximas semanas se a investigação demonstrar que não cometeram faltas graves quando trabalhavam como agentes nos EUA.

*Com EFE e AFP

    Leia tudo sobre: RússiaEUAespionagemkgbsvr

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG