Grã-Bretanha retira do Irã parentes de seu pessoal diplomático

LONDRES - A Grã-Bretanha está retirando as famílias dos funcionários de sua embaixada no Irã por causa da violência pós-eleitoral, informou o Ministério Britânico das Relações Exteriores nesta segunda-feira.

Reuters |


A decisão foi tomada depois de uma semana de protestos de rua em Teerã realizados por manifestantes de oposição que contestam os resultados da eleição presidencial, que assegurou um segundo mandato para Mahmoud Ahmadinejad. As forças de segurança do Irã estão reprimindo com violência os amplos protestos.

"A violência contínua teve um impacto significativo sobre as famílias de nossos funcionários, que não estão conseguindo levar suas vidas como de costume", disse um porta-voz do ministério. "Como resultado, estamos retirando dependentes dos funcionários da embaixada até que a situação melhore."

Na semana passada, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, descreveu a Grã-Bretanha como o "mais traiçoeiro" dos inimigos do Irã, desencadeando protestos do ministério britânico e a convocação, para consultas, de um diplomata de alto escalão da embaixada iraniana em Londres.

A Grã-Bretanha tem uma grande embaixada no Irã. Ainda não está claro quantos familiares e dependentes serão removidos da República Islâmica. Autoridades dizem não esperar ter de retirar pessoal diplomático por ora.

"Não acreditamos que seja necessário reduzir o número de funcionários neste momento, porém, estamos monitorando a situação com a maior vigilância possível", afirmou o porta-voz.

Ex-potência imperial na região, a Grã-Bretanha tem uma longa história de envolvimento no Irã e as relações diplomáticas entre os dois países têm sido instáveis. A Grã-Bretanha suspendeu as relações com o Irã depois da Revolução Islâmica de 1979 e reabriu sua embaixada somente em 1988, após a Guerra Irã-Iraque.

As relações pioraram novamente no início dos anos 1990 e apenas voltaram à normalização total em 1998. O governo britânico tem sido cauteloso em seus comentários sobre a eleição iraniana, com receio de ser visto como interferindo em assuntos de outro país. No entanto, no fim de semana, o primeiro-ministro Gordon Brown condenou a violência contra os manifestantes.

Segundo a mídia estatal iraniana, pelo menos 10 pessoas foram mortas e mais de 100 ficaram feridas em manifestações no Irã no sábado, quando milhares de pessoas saíram às ruas, em desafio à advertência de Khamenei, que ordenara o fim dos protestos.

Irã é palco de protestos no fim de semana; veja o vídeo

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