Grã-Bretanha rejeita proibição a pesquisas com embriões híbridos

Os membros da Câmara Baixa do Parlamento britânico rejeitaram nesta segunda-feira uma proposta que pretendia proibir a realização de pesquisas com embriões híbridos, formados a partir da fusão de estruturas humanas e de origem animal. A emenda analisada pela Câmara dos Comuns recebeu 336 votos contra e 176 a favor e provocou um intenso debate.

BBC Brasil |

De um lado, a ministra-adjunta britânica de Saúde, Dawn Primarolo, disse que pesquisas com esses embriões podem levar a avanços no tratamento de doenças degenerativas, como o mal de Alzheimer.

Do outro, parlamentares contrários a esse tipo de pesquisa disseram que a prática coloca em risco a dignidade da vida humana.

A criação dos embriões híbridos havia sido autorizada pela Autoridade de Fertilização Humana e Embriologia (HFEA, na sigla em inglês) da Grã-Bretanha em setembro de 2007.

A lei confirmada pelos parlamentares nesta segunda-feira autoriza e regula as pesquisas em embriões formados a partir de óvulos animais nos quais foram inseridos núcleos de células humanas.

Esses embriões poderão ser mantidos em laboratório por 14 dias, durante os quais será permitido extrair as chamadas células-tronco - que têm o potencial de se transformar em células de qualquer tecido.

Atualização das leis
Primarolo ressaltou que, para que seja realizada qualquer tipo de pesquisa com os embriões em questão, os interessados precisarão convencer a HFEA de que a pesquisa é "necessária ou desejável" e garantiu que nenhum embrião será implantado no útero de uma mulher ou animal.

Mas o parlamentar de oposição Edward Leigh, que apresentou a emenda contra a proposta, disse que não acreditar que a regulamentação desse tipo de pesquisa é suficiente.

"Nos embriões, temos a configuração genética completa de um ser humano e não podemos, nem devemos, fundi-la com a de um animal", afirmou Leigh.

A votação foi a primeira de uma série prevista nesta semana em que parlamentares vão decidir aspectos-chave relacionados à produção de embriões e à reprodução humana.

O Parlamento britânico está atualizando um conjunto de leis aprovado em 1990, passando a considerar os mais recentes avanços da ciência.

Ainda nesta segunda-feira, parlamentares deveriam se pronunciar sobre o desenvolvimento de embriões geneticamente selecionados para produzir tecidos saudáveis compatíveis com irmãs e irmãos que sofrem de algum tipo de mal genético que poderia ser amenizado com transplantes.

Na terça-feira, será debatida uma proposta acaba com a necessidade de que crianças nascidas em tratamentos de fertilidade tenham um pai - uma proposta que poderia facilitar o caminho para casais de lésbicas e mulheres solteiras terem um filho.

Um outro projeto que será colocado em votação diminui o prazo limite atual de 24 semanas para a realização de abortos.

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