Grã-Bretanha publica relatório oficial sobre Domingo Sangrento

Investigação declara que são inocentes os 14 manifestantes católicos mortos em 1972 pelo Exército britânico

iG São Paulo |

O governo britânico publicou nesta terça-feira o relatório final de uma investigação de 12 anos sobre o "Bloody Sunday" (Domingo Sangrento), um dos episódios mais negros do conflito da Irlanda do Norte que acabou com a morte de 14 manifestantes católicos por disparos de soldados britânicos em 1972.

As conclusões dessa investigação judicial, considerada a mais longa e mais cara da história britânica, foram divulgadas simultaneamente às 15h30 em Londres (11h30 em Brasília) pelo primeiro-ministro britânico, David Cameron, e em Londonderry, cenário da matança.

Reuters
Parentes das vítimas do Domingo Sangrento marcham entre Bogside e Guildhall para a leitura do relatório Saville, em Londonderry, Irlanda do Norte
As famílias das vítimas e os soldados envolvidos tiveram acesso mais cedo ao relatório de 5 mil páginas, que examina os acontecimentos de 30 de janeiro de 1972.

Naquele dia, paraquedistas britânicos mataram 13 católicos desarmados e feriram outros 14 - um dos quais morreu posteriormente por causa dos ferimentos - ao abrir fogo contra os participantes em uma marcha favorável aos direitos civis em Londonderry, a segunda cidade norte-irlandesa.

Cerca de 60 familiares das vítimas desfilaram em silêncio e exibindo fotos em preto e branco de seus parentes antes da divulgação do relatório.

Em janeiro de 1998, o primeiro-ministro britânico Tony Blair encarregou o juiz Mark Saville uma segunda pesquisa cujo custo final ronda os 200 milhões de libras (US$ 295 milhões).

Uma grande comemoração ocorreu na Praça Guildhall, em Derry, quando Cameron revelou as descobertas da investigação, que absolve as 14 vítimas e responsabiliza o Exército pela ação, abrindo caminho para que sejam levados a julgamento alguns dos soldados envolvidos, que atualmente estão na reserva.

O "Bloody Sunday" foi um dos episódios-chave no conflito entre católicos separatistas e protestantes unionistas que deixou mais de 3,5 mil mortos ao longo de três décadas e concluiu com o acordo de paz de Sexta-feira Santa, em 1998.

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