Grã-Bretanha inicia investigação sobre morte de líder do Hamas em Dubai

A Grã-Bretanha enviou nesta sexta-feira a Dubai investigadores de polícia para coletar provas relacionadas ao uso de passaportes britânicos falsos pelos supostos assassinos de Mahmoud al-Mabhuh, um dos fundadores do braço militar do Hamas, em 19 de janeiro. Além disso, o serviço secreto britânico, MI6, realiza uma investigação mais ampla sobre o envolvimento de Israel na ação.

iG São Paulo |

Os investigadores chegaram aos Emirados Árabes Unidos enquanto a investigação aponta cada vez mais para o envolvimento do Mossad, a agência de espionagem de Israel, no assassinato de Mabhuh. Ele foi encontrado morto no quarto de um hotel de Dubai em 20 de janeiro.

Na quinta-feira, o chefe de polícia de Dubai, Dahi Jalfan, pediu que a Interpol prendesse o chefe do Mossad, Meir Dagan, se ficar comprovado que a agência está por trás do assassinato do líder do Hamas. Ele disse ter "99%, se não 100%, de certeza" do envolvimento do Mossad no assassinato.

Imagens divulgadas por Dubai identificam os suspeitos no assassinato de membro do Hamas
Imagens identificam os suspeitos no assassinato de membro do Hamas

As autoridades de Dubai emitiram na terça-feira mandados de prisão para os 11 suspeitos (10 homens e uma mulher). Todos tinham passaportes europeus válidos - um da França, três da Irlanda, seis da Grã-Bretanha e um da Alemanha. Na quinta-feira, a Interpol colocou em sua lista de criminosos mais procurados os 11 suspeitos.

Além da Grã-Bretanha, Irlanda e França também aumentaram sua pressão diplomática sobre Israel, exigindo explicações sobre o uso de passaportes europeus falsos pelos assassinos.

Com Israel sob pressão, um alto funcionário do governo israelense rebateu nesta sexta-feira as acusações da polícia de Dubai . "A polícia de Dubai não apresentou nenhuma prova que respalde uma incriminação nesse caso", disse à AFP a fonte, que pediu anonimato.

Investigação preliminar

Uma investigação preliminar feita pela agência da Grã-Bretanha para o combate ao crime organizado confirmou que as fotografias e as assinaturas dos passaportes britânicos usados pelos supostos assassinos não correspondiam às dos passaportes originais nos nomes utilizados.

Os seis britânicos-israelenses cujos nomes constavam dos passaportes apontados pela polícia de Dubai como sendo os dos assassinos de Al-Mabhouh negam qualquer envolvimento no crime.

Um deles, Stephen Daniel Hodes, de 37 anos, afirmou não ter saído de Israel nos últimos dois anos e se disse "chocado" com o caso. "Não sei quem está por trás disso. Estou com medo, essas são forças poderosas", disse ele a uma TV israelense.

Outro envolvido, o consultor de informática Melvyn Mildiner, de 31 anos, disse ao diário The Jerusalem Post: "Fui dormir com pneumonia e acordei assassino."

Paul John Keeley, cidadão britânico que se mudou para Israel há 15 anos e mora no kibutz (comunidade agrícola) Nahsholim, afirmou que vem se sentindo "como um zumbi" desde que descobriu seu nome na lista de suspeitos.

"Como uma coisa dessas pode acontecer? Sou um simples mecânico, o que querem de mim? As pessoas riem, mas eu não estou achando essa história engraçada", disse à imprensa local.

Circuito interno

O líder do Hamas foi morto em um quarto de hotel em Dubai. A polícia de Dubai divulgou imagens do circuito interno de TV do hotel que mostram os suspeitos disfarçados de turistas, usando perucas e barbas falsas.


Imagem do circuito interno do hotel mostra o líder do Hamas (de blusa preta)
sendo seguido por seu suposto assassino / Reuters

Segundo as autoridades locais, o trabalho "foi executado por um time profissional, altamente habilitado para esse tipo de operação". De acordo com alguns relatos, Al-Mabhouh estaria em Dubai para comprar armamentos para o Hamas.

Segundo a polícia, dois suspeitos palestinos que teriam fugido para a Jordânia também estariam sendo questionados sobre o assassinato.

*Com AFP e informações da BBC Brasil

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