Grã-Bretanha expulsa diplomata israelense por caso Dubai

A Grã-Bretanha decidiu expulsar um diplomata israelense por causa da falsificação de passaportes britânicos no incidente que resultou no assassinato de um comandante do Hamas em um hotel em Dubai.

iG São Paulo |


"Levando em conta que esta foi uma operação muito sofisticada, na qual falsificações de qualidade foram feitas, o governo considera altamente provável que as cópias tenham sido produzidas por agências de inteligência", disse o secretário do Exterior britânico, David Miliband, em discurso no Parlamento britânico.

"Existem fortes razões para acreditarmos que Israel foi responsável pelo uso indevido de passaportes britânicos. O governo lida com esses assuntos com extrema seriedade", disse ele. "Este uso indevido é intolerável", completou, sem revelar qual será o diplomata expulso. Acredita-se, porém, que seja um representante do Mossad.

Segundo o jornal "The Guardian", o porta-voz do primeiro ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, disse que o israelense não foi "expulso" e sim "convidado a se retirar" em até duas semanas.

O embaixador israelense para a Grã-Bretanha, Ron Prosor, disse que a relação entre os dois países "é de importância vital, por isso estamos desapontados com a decisão britânica".

Doze passaportes falsos da Grã-Bretanha foram usados pelos assassinos de al-Mabhouh, um dos fundadores do braço armado do Hamas. Israel afirma que não há provas de que seus agentes secretos estão por trás do assassinato.

Imagens mostram 15 novos suspeitos de assassinato

Imagens mostram os 15 últimos suspeitos identificados do assassinato

No mês passado, o ministro britânico havia dito que o uso dos passaportes falsos era "revoltante" e prometeu desvendar todo o caso por meio de uma investigação. Na época, Prosor foi convidado para uma reunião no Ministério das Relações Exteriores.

Se for verdade que o Mossad é responsável pelo crime e usou passaportes falsos britânicos para cometê-lo, isso significaria a quebra de uma promessa feita nos anos 80.

Em 1987, os israelenses prometeram nunca mais usar passaportes britânicos para suas missões. A promessa veio depois da revelação de que oito passaportes da Grã-Bretanha haviam sido encontrados em uma bolsa na Alemanha Ocidental. A princípio, os documentos seriam entregues a agentes do Mossad.

Após ouvir os questionamentos ingleses, o então embaixador israelense no país Yehuda Avner garantiu que isso não voltaria a acontecer.

Também nesta terça-feira, a França anunciou que investiga o uso de passaportes franceses falsos na operação. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, condenou veementemente o assassinato de Mahmoud Al-Mabhuh, sem acusar diretamente Israel de envolvimento.



Imagens divulgadas por Dubai identificam os suspeitos no assassinato de membro do Hamas
Imagens identificam os primeiros 10 suspeitos do crime

O crime

No início do mês, o chefe da polícia de Dubai, Dahi Khalfan Tamim, afirmou que pediu ao Ministério Público do país um mandado de prisão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e do chefe do serviço secreto Mossad pela morte do líder do Hamas.

Um grupo de dez homens e uma mulher teria assassinado Mahmoud al-Mabhouh em um quarto de hotel em Dubai em janeiro. A polícia local afirmou que eles teriam usado passaportes falsos e sugeriu o envolvimento do Mossad no assassinato.

Segundo Tamim, ele estaria "completamente certo de que foi o Mossad" o responsável pelo crime e teria apresentado um pedido de prisão de Netanyahu e de Méir Dagan.


Imagem do circuito interno do hotel mostra o líder do Hamas (de blusa preta)
sendo seguido por seu suposto assassino / Reuters

Com Reuters e BBC

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