A Grã-Bretanha pediu neste domingo a libertação imediata dos funcionários iranianos da embaixada britânica em Teerã, que foram presos no sábado. A mídia iraniana disse que oito funcionários locais da embaixada foram detidos por seu papel considerável nos protestos após as eleições presidenciais.

O ministro do Exterior britânico, David Miliband, disse que as prisões foram "assédio" e disse que as acusações não têm base.

Segundo ele, nove funcionários foram inicialmente detidos, mas alguns deles foram soltos.

"Nós ainda estamos preocupados com um número de funcionários que, pelo que sabemos, não foram soltos. Os números estão mudando hora a hora", disse Miliband, que participa de um encontro de segurança de países europeus na ilha grega de Corfu.

"Sem fundamento"
"A ideia de que a embaixada britânica está de alguma forma envolvida nas demonstrações e protestos que vêm acontecendo em Teerã nas últimas semanas é completamente sem fundamento."
O governo britânico fez uma reclamação direta às autoridades iranianas, mas ainda não teria obtido resposta.

Milband disse que iria discutir a questão com seus colegas europeus.

"Todos os países europeus deixaram claro que querem se unir para defender os princípios diplomáticos que são importantes para nossas atividades diplomáticas ao redor do mundo", disse.

As relações entre o Irã e a Grã-Bretanha estão tensas depois que o governo iraniano acusou autoridades britânicas de fomentarem a instabilidade.

O Irã vem acusando países ocidentais - principalmente a Grã-Bretanha e os Estados Unidos - de envolvimento nos protestos contra o resultado do pleito que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Conselho dos Guardiões
O Conselho dos Guardiões, autoridade eleitoral máxima do país, disse que divulgaria seu parecer sobre as eleições neste domingo.

Mas, segundo o correspondente da BBC em Teerã, Jeremy Bowen, há muitas negociações políticas ocorrendo nos bastidores, e o prazo de cinco dias para o veredito do Conselho poderá ser estendido.

Segundo ele, há tentativas de formar um comitê, que incluiria os candidatos derrotados, para monitorar a recontagem de 10% dos votos.

Outro comitê parlamentar está discutindo com os líderes religiosos do país a formação de um grupo pró-Ahmadinejad.

O líder oposicionista Mir Hussein Mousavi continua a acusar as eleições de fraudulentas e se recusa a apoiar a recontagem parcial planejada pelo Conselho dos Guardiões.

Mousavi vem defendendo uma nova eleição, mas disse no sábado que aceitaria uma revisão do pleito de 12 de junho por um órgão independente.

O Conselho dos Guardiões, no entanto, já defendeu a reeleição de Ahmadinejad, dizendo que as eleições foram as "mais saudáveis" desde a Revolução Iraniana, em 1979.

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