O Parlamento britânico elege nesta segunda-feira um novo presidente da Câmara dos Comuns, que terá como primeira missão restaurar a reputação de uma das instituições democráticas mais antigas do mundo, depois do escândalo dos gastos abusivos que custou o posto do antecessor.

A eleição do novo "speaker" da Câmara é consequência da renúncia histórica - a primeira desde 1695 - do antigo presidente, Michael Martin, obrigado a abandonar o cargo por sua administração considerada desastrosa do escândalo dos gastos abusivos dos deputados, um dos mais importantes dos últimos anos na Grã-Bretanha.

Há mais de um mês, a imprensa destaca os abusos cometidos por grande parte dos 646 deputados com este sistema legal, que inclui o reembolso de gastos relacionados a uma residência secundária, mas considerado muito generoso e até laxista.

Alguns parlamentares apresentaram como gastos os juros de empréstimos já vencidos ou a reforma de propriedades que venderam em seguida a preços elevado, obtendo assim grandes lucros, em ocasiões que sequer pagaram os impostos sobre as rendas imobiliárias.

A imprensa criticou em especial alguns gastos absurdos financiados pelos contribuintes: batons, comida para cães, um vaso sanitário, entre outros. O escândalo obrigou a renúncia de 15 deputados, incluindo alguns ministros.

Ao mesmo tempo que os meios de comunicação divulgam detalhes picantes sobre os gastos, o Parlamento aceitou finalmente, como havia exigido a justiça há um ano, revelar a lista oficial dos gastos reembolsáveis autorizados. Mas o documento foi amplamente censurado, oficialmente por motivos de segurança, o que gerou um novo bombardeio de críticas.

bur-lv/fp

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